Porque precisamos de mais mulheres em Tecnologia

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Em evento no Rio de Janeiro, equipe de TI da Estante Virtual ministrou workshops e palestras para meninas e mulheres.

No mês de novembro, aconteceu o Rail Girls Rio de Janeiro. Evento de Tecnologia que busca ajudar mulheres a desenvolverem suas ideias por meio da programação. O grupo – que nasceu na Finlândia e hoje é uma comunidade global de voluntários – realizou o quarto encontro na cidade com palestras e workshops, conectando o público a profissionais de grandes empresas e startups de tecnologia.

O Rail Girls é uma das muitas iniciativas que vem ganhando destaque para aproximar mulheres do setor tecnológico. São coletivos de programadoras indignadas com o mercado global de tecnologia, profundamente sexista. “Esse tipo de evento é muito importante para empoderar as pessoas na área. Muita gente fica preocupada de fazer perguntas nos grupos de facebook e comunidades em geral porque tem muita hostilidade e caras querendo ser ‘superiores’. Nos eventos voltados para meninas, todo mundo está ali porque quer ajudar ou aprender”, explica Ana Ferreira, desenvolvedora na Estante Virtual e membro do grupo desde 2015.

Ana Ferreira, desenvolvedora na Estante Virtual durante o evento no Rio de Janeiro

Problema técnico ou cultural?

É comum vermos os grandes nomes da área serem sempre relacionados a ala masculina. Mark Zuckerberg, Bill Gates, Steve Jobs, são alguns exemplos – mas o curioso é que essa história nem sempre foi assim. Muitos pioneiros da computação, que programaram os primeiros computadores, eram mulheres. E, durante décadas, o número de mulheres em ciência da computação estava crescendo, por alguns motivos bem simples. O início da computação tinha laços estreitos com o secretariado e o processamento de dados. A equipe que programava o Eniac, o primeiro computador da história, era formada por mulheres. Elas passavam tardes conectando cabos em uma estrutura do tamanho de uma sala.

Mas em 1984, esse cenário mudou. O número de mulheres em ciência da computação foi achatado e depois afundou drasticamente. Ainda hoje, o mercado de tecnologia é mais restritivo a mulheres do que empresas de outros setores. Entre as companhias do S&P 100, o ranking com as maiores empresas do mundo compilado pela agência de risco Standard & Poor’s, 20% delas têm, pelo menos, uma diretora. No Vale do Silício, o mesmo acontece só com 10% das empresas. No Brasil, o número encolhe ainda mais. Somente 10% dos engenheiros no centro de engenharia de Belo Horizonte são mulheres. Este não é um problema isolado. A mesma relação desigual entre homens e mulheres acontece no Facebook (31% são mulheres), na Apple (30%) e no Twitter (30%). Para piorar, só 10% dos aportes financeiros são feitos em startups comandadas por mulheres, segundo estudo da Harvard Business School.

O problema, como observam especialistas, é cultural e começa na infância, pois o computador transformou-se em um brinquedo de meninos. Não à toa, metade das famílias americanas coloca o PC doméstico no quarto do filho, segundo o livro Unlocking the Clubhouse: Women in Computing, da pesquisadora Jane Margolis. Hoje, na maior universidade do país, a USP, o departamento de Ciências da Computação é profundamente dominado por homens. Dos 43 docentes de bacharelado, 8 são mulheres e 35 são homens. Entre os alunos abismo agrava ainda mais: entre os 166 discentes, há 150 homens e apenas 16 mulheres.

Quem vem trabalhando para reverter esse cenário?

Além do Rail Girls, muitas outras organizações sem fins lucrativos incentivam mulheres a apaixonarem-se por programação. Entre as mais famosas estão: Django girls – um grupo criado em 2014 com mais de 1000 voluntárias presentes em 81 países, que além de organizar eventos e treinamentos, disponibilizam tutoriais gratuitos na internet para mostrar que a programação é acessível. Bem como outros grupos de mentoria: Pyladies, o blog Mulheres na Computação (que disponibiliza também vagas na área) e iniciativas sociais como o: TechnovationChicas Poderosas e Elas nas Exatas.  Acompanhe o calendário de cada grupo e encontre o que mais funciona para você.

Evento Rail Girls Rio de Janeiro 2017

Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

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