Halloween e Folclore: uma linha tênue que você jamais imaginou!

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Conheça a relação entre as datas e seus significados.

Não é apenas nos Estados Unidos que criaturas aterrorizantes – criadas pela literatura ou pela cultura popular – tem um dia especial para saírem de seus esconderijos e adentrarem na vida das pessoas comuns. Para os americanos, este dia é o Halloween, data na qual são celebradas as criaturas das trevas mais presentes na cultura do país. No Brasil, esta comemoração pode ser realizada também no dia 31 de outubro, mas pelo Dia do Saci – data presente deste 2003, criada a partir do projeto de lei que tem como objetivo resgatar mitos do folclore nacional, em contraposição ao Dia das Bruxas, que tem origem na cultura celta. Outra data concebida para incentivar a cultura brasileira é 22 de agosto, que é comemorado o Dia do Folclore.

Além dos mitos e lendas, o folclore nacional apresenta uma imensa diversidade cultural. E, diferente dos personagens americanos, os brasileiros sempre tem uma finalidade educacional – tal como o curupira e a lenda da Iara, a mãe d’água – que são criaturas que, apesar da fantasia aterrorizante que os ronda, foram criados com o intuito de proteger a natureza das ameaças do homem. Neste sentido, os personagens de uma cultura popular são espelhos da sociedade que as criou – refletindo o meio ambiente do lugar – desde os tesouros naturais até a essência dos habitantes, as suas crenças, seus medos e deveres.

A lenda do Corpo Seco: rejeitado por Deus, pelo Diabo e até mesmo por seu próprio túmulo, o homem – que foi muito cruel em sua vida – foi condenado a vagar pela terra.

Folclore: uma representação da identidade nacional

O nosso folclore não é limitado apenas pelos personagens das fábulas, mas carrega em si a responsabilidade de representar os distintos povos e características que formam o Brasil. Podemos considerar também como legítimas representações as danças folclóricas (carimbó, capoeira, forró, frevo), comidas típicas, encenações (bumba-meu-boi, congada), superstições, artesanato, brincadeiras infantis, ditados, tradições, crenças religiosas e festas populares (festa junina, Círio de Nazaré, Folia de reis, carnaval).

Como um país banhado com uma natureza vasta e grande diversidade cultural, as regiões do Brasil diferem na criação destes mitos – tal como diferem nos costumes, no ambiente e na população – mas tem em si um elemento em comum: a proteção da fauna e da flora. A ideia deste resguardo existe por conta da grandiosidade da floresta brasileira, da sua raridade e do perigo de extinção. E, por conta disso, a eminência de sua proteção. O folclore tem como seu maior objetivo educar a sociedade, não só apenas sobre o que é importante para uma região e um povo específico, mas sobre tudo aquilo que é mais importante para todos os brasileiros.

Confira a lista com obras que refletem a cultura brasileira!


Antologia do folclore brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo

A obra pretende apresentar os aspectos e características vivas do Povo brasileiro através dos séculos, ajustado ao conceito de folclore como “uma ciência da psicologia coletiva”, mas que conversa não só com a psiquiatria, mas também com a sociologia, política, e religião de um povo. Os depoimentos começam quando o Brasil ainda amanhecia, narrados por viajantes estrangeiros que chegavam pela primeira vez ao país.

Antologia do folclore brasileiro


A festa no céu – um conto sobre o nosso folclore, de Angela Lago

Esta fábula clássica conta a história de uma grande festa que aconteceria no céu, mas que os animais que não tinham asas não podiam participar. Com uma linguagem lúdica, o real e o imaginário são representados através de belíssimas ilustrações – que só aumentam a conexão dos leitores com a fantasia.

A festa no céu


Curupira e o equilíbrio da natureza, de Samuel Murgel Branco

Segundo a lenda, o curupira é um anão, de cabelos ruivos e pés virados para trás, que atua como o protetor na floresta. Todos que ousarem atrapalhar o equilíbrio da fauna e da flora, se tornam vítimas do curupira – temido por todos os caçadores.

Curupira e o equilíbrio da natureza


O saci, de Monteiro Lobato

Um dos mais famosos personagens do folclore brasileiro, O saci conta a história deste medido que adora fazer traquinagens por onde passa. No sítio do picapau amarelo, tudo o que acontece de errado é culpa dele. Neste livro algumas das principais características da lenda são reveladas para quem se despuser a embarcar no redemoinho que o Saci causa na vida de todos que o conhecem.

O saci


A Iara e a poluição das águas, de Samuel Murgel Branco

O livro conta como a poluição das águas dos rios é evitada por um conhecido personagem do nosso folclore, Iara, conhecida também com a mãe d’água. Mas ela não está sozinha. Junto com o Curupira, o protetor das matas e dos animais, as duas lendas do folclore nacional tem muito a nos dizer.

Iara e a poluição das águas


 Quem tem medo do boitatá?, de Manuel Filho

Impressionado, um menino ouve o tio contar a história do Boitatá, que teria deixado seu avô cego, para que ele desde cedo aprenda como impedir que a criatura faça mal às pessoas. Sem que ninguém note, o garoto se afasta, tropeça e, quando acorda, se vê no mesmo lugar, mas muitos anos atrás, momentos antes de o avô sair e encontrar o temido Boitatá.

Quem tem medo do boitatá


Mula sem cabeça – a origem, de Ilan Brenman

Mesmo sendo bastante antiga, a lenda da mula sem cabeça ainda é contada em diversas regiões do Brasil e talvez é a mais popular figura do nosso folclore. Mas como foi que ela surgiu? Sob o ponto de vista de um estrangeiro, Ilan Brenman resolveu contar, pra todos que quiserem saber, como nasceu a mula sem cabeça e desafiar uma ilustradora que vive bem longe daqui a criar a sua própria versão da assombração.

mula sem cabeça - a origem


Qual conto do folclore nacional é a seu preferido? Deixe seu comentário e participe da conversa!


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Thayane Maria

Thayane Maria

Redatora em Estante Virtual
Thayane Maria, jornalista e cinéfila. Além de escrever para o Estante Blog, também mantém o seu blog no Medium: @Msmidnightlover. Vive em eterna busca pelo excêntrico.
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