Um Rio de crônicas por Martinho da Vila

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Em evento literário, Martinho conversa com o público e promove seu novo livro de crônicas sobre a cidade.

Próximo de completar 80 anos, Martinho da Vila está mais ativo do que nunca. O cantor e compositor da Vila continua fazendo shows, cursa Relações Internacionais – sua primeira faculdade – e publica seu 15º livro, “Conversas cariocas“, pela editora Malê. Uma coletânea de crônicas sobre o Rio de Janeiro, publicadas entre 2010 e 2012.

Em bate-papo na Primavera Literária do Rio, na Casa França-Brasil, o compositor relembrou sua trajetória da quadra de samba aos livros e como a música está presente em tudo que faz. Foi ao compor seu primeiro enredo, em 1959, para a escola Aprendizes da Boca do Mato, que ele conheceu Machado de Assis e se identificou muito com o célebre escritor – ambos negros, nascidos no morro e filhos de uma lavadeira. “Fui pesquisar, gostei muito da história dele, escrevi o samba, ganhamos o Carnaval e hoje já li todos os livros de Machado de Assis”, disse. De lá para cá, o samba mudou muito e o jeito de fazer Carnaval também. Martinho foi o último compositor único de escola de samba, com o enredo a Noel Rosa, em 2010, no seu “quintal”, a Vila Isabel.

Há alguns anos, o compositor enveredou para outros campos, como a pesquisa sobre a memória africana. “Ninguém da minha geração estudou sobre a África na escola, a gente falou de todas as revoluções, todos os movimentos e reinados, menos o africano. Então, assim como eu fui pesquisar quando não conhecia o Machado, fui conhecer sobre o continente dos meus ancestrais”. completou.

Uma nova teoria sobre a música “Mulheres”

No mês de outubro, começou a circular na internet uma teoria de que uma das músicas mais famosas do cantor, na verdade nutria um significado secreto. A canção Mulheres, hit das rádios nos anos 1990, talvez representasse o desabafo de um homem gay, saindo do armário. A versão faz muito sentido, por não ter uma explicação clara de gênero nos versos (“Mas nenhuma delas me fez tão feliz como você me faz”). Questionado sobre a polêmica pelo Estante Blog, Martinho riu e contou que um amigo já havia brincado sobre o assunto com ele, que sim a teoria casa perfeitamente, mesmo não tendo sido uma ação premeditada nem por ele, nem pelo compositor Toninho Geraes.

Confira os principais livros do artista na Estante Virtual:


Conversas Cariocas, de Martinho da Vila

Em entrevista Martinho conta que reuniu 92 crônicas para compor a obra. “São bate-papos que tive com os leitores em diversos locais, principalmente nas ruas. Foram diálogos de verdade, olhando nos olhos dos leitores, ouvindo e dando opiniões sobre diversos assuntos”.

conversas cariocas


Fantasias, Crenças e Crendices, de Martinho da Vila

A obra é difícil de ser classificada, segundo as palavras de seu próprio autor, Martinho José Ferreira ou, como é mais conhecido, Martinho da Vila. Segundo ele, seu livro deveria estrear uma nova categoria literária, a “Literatura Musical”. Variando entre Ficção e Romance, de acordo com os olhos de quem o lê, contém histórias de amor e uma abordagem de temas reais sobre misticismos, crenças e crendices. Martinho afirma que tudo o que escreve é realmente o que acha e acredita, e, para isso, se fundiu com os personagens de forma a colocar suas próprias concepções na boca dos participantes de suas histórias fantasiosas. Palavra de sambista.


Ópera Negra, de Martinho da Vila

Em Ópera Negra, Martinho da Vila exalta as qualidades da raça negra – qualidades humanas, musicais, poéticas -, reivindica igualdade de oportunidades na sociedade e aponta a discriminação racial e social, sobretudo a dirigida às classes pobres, os favelados, vítimas de uma dupla opressão: policial e dos bandidos. É uma obra de denúncia e combate, mas não de luta agressiva, de ódio racial. Martinho reivindica apenas aquilo a que o negro tem direito, como cidadão brasileiro, e o incentiva ao combate.


Kizombas, andanças e festanças, de Martinho da Vila

O livro não se trata meramente de uma biografia como as que estamos acostumados a ler. Nem de um livro de memórias. Sem qualquer preocupação com ordem cronológica, Nesta obra, Martinho relembra passagens importantes de sua vida, valoriza momentos inesquecíveis de sua escola de samba, a Unidos de Vila Isabel, recorda as viagens à Angola de seus ancestrais e rememora instantes empolgantes de sua carreira.


Barras, vilas & amores, de Martinho da Vila

Com a habilidade de um sábio contador de histórias, Martinho da Vila puxa o fio de uma narrativa saborosa, acompanhando os movimentos da história de amor de Daomé Benino e Iana Smith. Para além da simples obra de ficção, neste livro o autor traça um grande painel em que fragmentos de memória compõem um conjunto harmonioso. Analisando os detalhes deste rico mosaico, o leitor pode perceber uma espécie de panteão, formado pelos heróis que construíram a identidade negra do Brasil. No pano de fundo, lugares, personagens e canções que, em cada época, pontuaram as memórias do narrador e de seus protagonistas.

Barras, vilas & amores, de Martinho da Vila


Já conhecia a obra de Martinho? Qual livro você acrescentaria a lista? Participe!

Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

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