A febre das ruas: 5 livros para entender a luta estudantil

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O Movimento Passe Livre (MPL) é produto de uma história de luta estudantil avessa ao conformismo.

Paris, 1968, a euforia artística crescia nos bairros da capital francesa. Inspirados pelos ideais iluminista de séculos atrás, por movimentos artísticos e escritores, os jovens daquela época foram às ruas cobrar das autoridades todos os direitos essenciais do povo e do indivíduo – em especial o direito de discordar do status quo.

Mas não foi só no continente europeu que os movimentos estudantis acendiam no cenário político, o mesmo ano marcou para sempre a história do Brasil – que vivia o auge da sua ditadura militar. Estudantes de colégios tradicionais do Rio de Janeiro, como o Colégio Pedro II, lotavam as ruas em prol da democracia. Apesar do sistema nervoso político rondar a região Sudeste e Brasília, todas as capitais do país se integraram e realizaram seus próprios protestos – velados ou não. No entanto, a participação dos jovens no contexto político já acontecia há bastante tempo.

Os primeiros registros de mobilização de estudantes são de 1710, no qual alunos de conventos e colégios religiosos enfrentaram a invasão francesa no estado do Rio de Janeiro. Além disso,  uma grande fração de jovens esteve presente na Inconfidência Mineira, na Abolição da Escravidão e na transição do Brasil Imperial para a República. Os chamados “Caras pintadas”, foram o retrato da geração dos anos 1990, além de comprovarem o poder massacrante do povo sobre o governo – caso unido em favor de um objetivo coletivo.

Estudantes marchando em Paris, na onda de protestos em Maio de 1968. Foto de Henri Cartier Bresson.

O legado das gerações passadas

O Movimento Passe Livre (MPL), se baseia em um objetivo que interessa a todos os jovens em idade escolar e universitária: o direito pela gratuidade do transporte público. Fundado oficialmente no Fórum Social Mundial, Porto Alegre, em 2005, o movimento é o espelho de pequenas mobilizações que já aconteciam desde o início dos anos 2000. Apesar do registro oficial ter sido feito há algum tempo, a bandeira que o grupo levanta ganhou maior destaque após os protestos que dominaram o país em junho de 2013, no qual as manifestações tiveram início depois do aumento na tarifa de ônibus, mas que culminaram inesperadamente em uma mobilização unificada por todas as capitais do Brasil.

Apesar do Dia Nacional pelo Passe Livre ser celebrado no dia 26 de outubro, o movimento deixou de ser apenas um representante da luta pela tarifa zero no transporte público. Ele leva consigo todas as ideologias, desejos, direitos, esperanças e ilusões que as gerações antigas carregaram, mas não foram vividas. “Seja realista, exija o impossível”, foi a frase pintada nos muros daquela mesma Paris de 1968, por jovens que deixaram para trás a sabotagem existente nas marés do conformismo. Segundo eles, o objetivo da luta estudantil é e sempre será o mesmo: alcançar o que parece inalcançável.

Se aprofunde no tema com a ajuda desses livros que abordam os maiores movimentos estudantis no Brasil e no mundo. Confira!


1968 – Eles só queriam mudar o mundo, de Regina Zappa e Ernesto Soto

Este ano foi, talvez, o ano mais agitado politicamente e artisticamente do século XX. Protestos ocorriam em todo o mundo, de cunho político, social, musical e, principalmente, em favor da liberdade. Jovens que pareciam estar adormecidos desde os tempos sombrios da queda da bolsa de valores de Nova York e da Primeira Guerra Mundial, finalmente despertaram. Neste livro, os jornalistas Regina Zappa e Ernesto Soto fazem um passeio pelos principais acontecimentos do período, no Brasil e no mundo. Este é um verdadeiro almanaque ilustrado da geração que disse não ao conformismo.

1968, eles só queriam mudar o mundo


Na contramão do poder: juventude e movimento estudantil, de Silvio César Oliveira Benevides

O leitor encontrará uma análise que condiciona o comportamento sociopolítico da juventude, e a partir dessa linha de raciocínio, a obra examina a atuação do movimento estudantil no Brasil,  buscando entender em que medida os estudantes estabeleceram os parâmetros de um novo pensamento político.

na contramão do poder


Cidades rebeldes, de vários autores

Na esteira dos recentes embates urbanos que abalaram o país, é lançado este livro em formato de intervenção: Cidades rebeldes, narrando a trajetória do movimento do passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil.
Cidades rebeldes


1968 – o ano que não terminou, de Zuenir Ventura

Nesta que é possivelmente a obra mais conhecida de Zuenir Ventura – e também a mais crucial – o autor aborda episódios sombrios da ditadura militar no Brasil, como um estudante morto, colegas presos, passeata de intelectuais e religiosos, tropa de choque, gás lacrimogêneo, tiros, jatos de água, paus, pedras, o o que parece ser o fim de um caminho. A série Anos Rebeldes, produzida pela Rede Globo de Televisão, foi inspirada neste livro.

1968 - o ano que não terminou


Carapintada, de Renato Tapajós

Na década de 1990, um jovem participa de um importante movimento político no Brasil. Inexplicavelmente ele é transportado no tempo, indo parar nos anos 1960 e vivendo experiências marcantes com o movimento estudantil que marcou aquela época.

Carapintada


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Thayane Maria

Thayane Maria

Redatora em Estante Virtual
Thayane Maria, jornalista e cinéfila. Além de escrever para o Estante Blog, também mantém os seus blogs pessoais no Medium e no Wordpress: @Msmidnightlover e Missmidnightlover. Vive em eterna busca pelo excêntrico.
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