[Resenha] Quantas vezes por dia você se olha no espelho?

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* Por Pétala Souza @blogparenteses

Maitê é uma adolescente que foge de espelhos. Não é como se esse objeto inanimado lhe tivesse feito algum mal. Não se trata de fantasia. É que a realidade que o mundo lhe impôs, faz com que sua própria imagem seja sua pior inimiga.

Há uma série de fatores que ela não pode ignorar (mesmo tentando muito), lhe dizendo que caso sua aparência fosse diferente, tudo seria mais fácil. Mais bonito. Tão bonito quanto seu peso a impede de se sentir.

Esse livro é um YA, e como tal, tem foco no protagonismo adolescente. Esse protagonismo, como é tratado pelos livros YA, entrega ao jovem o poder sobre sua própria vida.  A participação ativa de adolescentes e jovens na superação da adversidade vivida por eles é o que dá força aos personagens no caminho do autoconhecimento.

E pensando assim, podemos chegar o ponto em que vemos como a representatividade é algo importante nesses livros.

Pensa comigo: Por se tratarem de histórias sobre pessoas se reconhecendo como indivíduos, eles livros precisam de muito mais que generalizações e padrões de pessoas para alcançarem esse fim.

Identidade. Identificação. Pra falar dessa fase da vida, das escolhas que te determinarão, das descobertas de algo primordial como quem é você e o que você escolhe ser: 

Não dá pra colocar todos numa caixinha de generalidades.

Pra falar de identidade, é necessário falar individualidade e pra isso, é preciso que o leitor se veja reconhecido.

Em Amor Plus Size, a Larissa Siriani escolheu fazer ser reconhecidas leitoras pouco lembradas em suas questões pessoais de identidade.

Estar no último ano do Ensino Médio, não é fácil pra ninguém. São muitas escolhas importantes que ocupam sua mente ao mesmo tempo. Como típica adolescente brasileira nessa fase da vida, Maitê, a protagonista do livro, não está preocupada com o seu par no baile de formatura, suas preocupações são escolha profissional, ENEM, Fuvest e vestibulares em geral.

Pressão? Só a de escolher quem será pelo resto da vida. Mas como fazer essa escolha sem ao menos saber quem é no agora?

É certo que essa pressão não é o que distingue Maitê dos demais colegas. Também não é a hesitação em definir quem é. Então a insegurança com a própria imagem? Claro que não.

O que diferencia Maitê é saber quem ela é, mas ter que se esconder porque o que ela é não é o certo. Incomoda, constrange e enoja. Maitê é gorda.

Essa é a personagem que irá perceber que pode quebrar a regra que todos impõe à sua felicidade.

Nesse romance fofo e cheio de clichês, a narrativa não destoa ao tratar do tema central: Empoderamento O processo de afirmação da protagonista segue o clima leve da história sem perder força significativa.

Amor Plus Size é um livro bom, como um tema muito bom, trabalhado de forma muito boa!

Amor Plus Size


Pétala Souza, @blogparenteses

Bacharel em Têxtil e Moda pela USP e Pesquisadora de Figurino. É bibliófila, fã de Ficção Científica e Jane Austen, e ama compartilhar experiências literárias compõe fotos de livros no Instagram.

 

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