[Resenha] O histórico infame de Frankie Landau-Banks

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Por Larissa Martins*

Você já ouviu falar do conto do patinho feio, certo? Aquele cuja moral era algo sobre não julgar o livro pela capa? Pois bem. Imaginem O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks como esse conto. Agora imaginem o patinho feio – que virou um belo cisne – escancarando portas que não deveria abrir e se recusando a ficar na margem pré-estabelecida por anos e anos de cultura patriarcal e machista.

Basicamente, o livro é sobre isso. E sobre política e poder. E também feminismo. E, claro, sobre sociedades secretas.

Neste livro, conhecemos Frankie Landau-Banks, uma menina que teve sua vida completamente mudada aos quinze anos. Não, não, nada de inacreditavelmente fantástico aconteceu com ela. Nenhuma criatura mística apareceu em sua porta, ela não descobriu ser uma bruxa ou fada, o mundo não foi invadido por alienígenas, nem nada do tipo. A mudança em Frankie foi esta: puberdade.

Antes, Frankie era um conjunto desarmônico e pouco convencional, que frequentava o clube de debates e tinha uma mente afiada (com uma língua mais afiada ainda). Mas, depois de completar quinze anos, o corpo de Frankie começou a mudar. De repente, ela já não era mais uma garota esquisita, mas uma adolescente bonita e cheia de curvas. A partir dessa mudança, Frankie não tardou a perceber como as pessoas subitamente passaram a se interessar por ela, inclusive Matthew Livingston, o garoto mais popular da Escola Preparatória Alabaster.

Ser notada por Matthew, por si só, foi inesperado, mas começar a namorar com ele foi mais inesperado ainda. Matthew apresenta Frankie aos seus amigos e acaba contando para ela sobre a Leal Ordem dos Bassês, uma sociedade secreta responsável por notórias pegadinhas na escola. Frankie logo se interessa pela Leal Ordem, mas tem um problema: garotas não podem participar.

Mas Frank não deixa essa regra retrógrada atrapalhar seus planos. Ela pode ter passado de invisivel à garota mais bonita da escola, mas ela ainda é uma jovem perspicaz e astuta, que não vai medir esforços para mostrar para os alunos da Alabaster (e também para o mundo, por que não?) do que uma garota no comando é capaz.

Por que esse livro é tão importante?

Este livro é o que eu chamo de necessário. Infelizmente, eu não vejo muito sobre essa obra por aí, o que me frustra porque esse livro merece muito mais reconhecimento.

E. Lockhart é mais conhecida pelo livro Mentirosos, onde ela fez uma ou outra crítica social em meio ao thriller psicológico. Já em O Histórico Infame, Lockhart coloca o dedo na ferida da forma mais precisa e direta ao questionar os padrões impostos pela sociedade que ainda se agarra firmemente aos termos patriarcais e tradicionalistas que limitam a inclusão de mulheres nos polos de poder. Embora exista o mito da igualdade de gêneros. Porque é verdade, não é? Supostamente, deveria haver igualdade de direitos e deveres, mas não há.

Quando Frankie se depara com um grupo secreto que quer barra-la por ser mulher, ela luta contra o sistema. Ela é uma garota forte, esperta e determinada que se recusa a aceitar as coisas só porque elas “sempre foram assim”. Frankie se tornou uma verdadeira heroína para mim e há tanto para ser aprendido com esse livro que eu simplesmente precisei colocá-lo no projeto Lendo Livros Esquecidos como minha indicação de agosto. E aí, quem já leu O Histórico Infame? Quem quer ler? Vamos conversar sobre esse hino de livro!

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Larissa Martins tem 22 anos e é de Paulínia/SP. Estudante de Direito, ela é apaixonada por livros e música. Fala sobre experiências literárias no Instagram: @larisreads. Larissa faz parte do grupo Papo de Páginas, que lançou a campanha #LendoLivrosEsquecidos no Instagram. Todo mês um novo sorteio no perfil. Acompanhe :)

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