8 livros para conhecer a literatura política e social de David Grossman

Dono de uma obra expressiva e com relatos dos conflitos no Oriente Médio, Grossman foi o vencedor do Man Booker International Prize.

David Grossman é um dos escritores mais importantes da contemporaneidade. O autor e pacifista israelense é conhecido por sua obra de cunho político e por defender a ideia de que a literatura é uma arma poderosa e essencial para a humanidade. Formado em filosofia e teatro pela Universidade Hebraica de Jerusalém, seus livros já foram traduzidos para mais de 30 idiomas. Em 1988, foi demitido da rádio onde trabalhava por se recusar a omitir dos ouvintes a notícia de que a liderança palestina declarou seu próprio Estado e – pela primeira vez – concedeu a Israel o direito de existir.

Grossman é um dos principais ativistas pelo fim dos conflitos em Israel. Em 2006, ele foi uma das pessoas que solicitou o cessar-fogo da Guerra do Líbano, mas infelizmente seu filho Uri – sargento do exército israelense – faleceu em meio à guerra. No entanto, Grossman despejou todo seu luto na literatura. Escreveu um livro inteiro sobre sua tragédia pessoal e o incidente também acabou influenciando outros títulos. Neste ano, o escritor israelense foi agraciado, mais do que merecidamente, no Man Booker International Prize pelo romance O inferno dos outros, lançado no Brasil no ano passado.

Venha conhecer essa e outras obras do autor, que nos ajudam a compreender melhor os maiores conflitos de nosso tempo. Confira a lista!


A mulher foge, de David Grossman

Orah e Avram são os protagonistas deste romance. Abrão, o nome do patriarca do judaísmo e Orah, derivação feminina de “luz”, a primeira entidade criada no Gênesis sobre o céu e a terra. E é no território cristão que esse romance acontece, em meio a Galileia. Por temer receber a notícia da morte do filho, que serve no exército, Orah foge para o norte de Israel, levando consigo Avram, um amigo e antigo amante que conheceu quando jovem no setor de isolamento de um hospital e que foi severamente torturado pelos egípcios na guerra de Yom Kippur. A consequência dessa experiência, para ele, foi uma vida inteira de negação, frustração e niilismo. Para Orah, divorciada e sozinha, restou ser mãe de dois rapazes em Israel, um país onde os jovens servem no exército durante três anos e para quem morrer com uma bomba é um dever banal. Orah, que deveria ser a mulher iluminada, não consegue encontrar mais em si mesma a luz necessária para compreender essa realidade e foge. Mas é na fuga que ela revela sua força.

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  • Duelo, de David Grossman

Nesta obra, o autor David Grossman narra uma situação em que seu personagem, David, se envolveu quando tinha apenas doze anos. Seu melhor amigo então é Heinrich Rosenthal, um senhor de setenta anos, que conheceu num asilo de idosos. Um dia, este senhor recebe uma carta de um velho rival, que o acusa de ter roubado uma pintura. Para complicar, o acusador não aceita nada menos que um duelo — dos verdadeiros, com pistola — para o acerto de contas. Mesmo não tendo roubado a pintura, o senhor Rosenthal sente que deve respeitar o código de honra de sua juventude e enfrentar o duelo. Disposto a impedir o confronto, o menino precisa descobrir alguns fatos: como quem roubou o quadro e por quê. Para isso, ele começa a juntar as peças de uma história de amor iniciada muitos anos antes. Ao recordá-la, David se pergunta se ela realmente teria acontecido.

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Esta obra é considerada por críticos de todo o mundo como uma das histórias mais importantes da literatura israelense. O romance é complexo e repleto de ambição literária e foi comparado pela imprensa internacional a Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez.  Na obra, acompanhamos a história do menino Momik, filho de judeus sobreviventes do Leste Europeu. Ele interpreta à sua maneira as conversas dos adultos sobre o que viveram na “terra de lá” (a Europa dominada por Hitler). Convencido de que a “besta nazista” é, literalmente, um monstro horrendo, resolve atraí-la a um galpão no fundo de sua casa para poder destruí-la, com a ajuda do avô Anshel Wasserman, que aparentemente ficou louco num campo de concentração. Já adulto, Momik recria em forma de livro a história de Bruno Schulz (1892-1942), escritor polonês morto por um soldado nazista. Apesar dos personagens e do lirismo do livro, o título é inspirado nas próprias experiências do autor, David Grossman, que é filho de um trabalhador polonês, que deixou o país durante a Segunda Guerra Mundial.

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Neste romance, nos é apresentada a história dos personagens Shaul Krauss, um intelectual israelense de 55 anos, que conta à cunhada Ester detalhes do drama de seu amor pela esposa, Elisheva, que há dez anos leva uma vida dupla com Paul, um artista russo. No caminho até Orcha, ao sul de Tel Aviv, onde a esposa se retira todos os anos por quatro dias, seguindo sua “incontrolável necessidade de ir de viagem para longe e ficar cozinha”,  Shaul relata seu sofrimento perante a situação, o que provoca um mergulho profundo em Ester, sua cunhada, que começa a relembrar um grande amor.

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Em Mel de leão, o autor David Grossman, desconstrói o mito de Sansão e nos mostra como nossa interpretação desse personagem do Velho Testamento não dá conta de toda sua complexidade. Embora seja a ideia difundida em inúmeros filmes e livros, Sansão nunca escolheu ser o vingador do seu povo, afinal, nunca lhe foi dada uma alternativa. Desde a concepção divina e o nascimento, seu destino já estava traçado. Repleto de sensibilidade e de senso crítico, o autor analisa os motivos e as intenções de Sansão em cada um de seus atos.

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Nesta obra, acompanhamos a história de Assaf, um garoto comum de 16 anos que gosta de futebol, de fotografia e de passar as horas livres no computador. Durante as férias, ele arruma um emprego temporário na prefeitura de Jerusalém. Ele não sabe, mas sua vida logo nunca mais será a mesma. Uma garota chamada Tamar tem a mesma idade de Assaf e um plano audacioso e urgente: ela precisa libertar seu irmão Shai de uma organização clandestina que escraviza jovens artistas e os prende num albergue sinistro, onde músicos, malabaristas, cuspidores de fogo, contorcionistas e cantores são abastecidos com heroína e outras drogas. Para escrever o livro, Grossman realizou diversas entrevistas e fez uma pesquisa minuciosa sobre os inúmeros meninos que vivem nas ruas de Israel.

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Nesta obra densa e autobiográfica, David Grossman expõe ao máximo sua dor, perante a morte de seu filho durante a Guerra do Líbano, em 2006.  Com uma narrativa profundamente melancólica, concisa e quase poética, a história se desenvolve depois de cinco anos que um homem cultiva uma dor silenciosa, mas subitamente recupera a fala e anuncia a sua esposa que partirá numa jornada para encontrar seu filho morto, o qual este homem sente que está a sua espera. Andando em círculos, ele magnetiza uma cidade de pais que vivem de luto, que, numa espécie de transe, marcham como se pudessem atravessar a fronteira entre a vida e a morte.

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Em uma narrativa que beira a genialidade, Grossman conta a história de um comediante de stand up (um gênero do humor em que o comediante conta piadas em pé, diante uma platéia). Enquanto faz piadas mais ou menos sagazes, no limite do politicamente correto e do bom gosto, passeando por temas tão amplos quanto o conflito Israel-Palestina, o comediante provoca o riso da plateia, mas também o desconforto. A tensão aumenta conforme ele expõe seus dramas pessoais mais profundos, e o humor se esvai dando lugar a uma melancolia profunda e comum a todos nós.

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Qual obra de David Grossman é sua preferida? Conta pra gente!


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