[Resenha] Mark Haddon em “Uma coisa de nada”

(0 Estrelas - 0 Votos)
Por Erica Cardoso

Tem um ditado popular que diz “famílias são sempre iguais, só mudam de endereço”. Foi essa a imagem que me veio à cabeça do início ao final da leitura de “Uma coisa de nada”, de Mark Haddon. A trama se passa em um subúrbio da Inglaterra, mas poderia se passar em qualquer outro lugar do mundo.

Após ler o aclamado livro O estranho caso do cachorro morto, senti muita vontade ler outros livros do autor, pela sua capacidade de narrar toda a história em primeira pessoa – seguindo a lógica de um menino com autismo. Em Uma coisa de nada, o autor toma um rumo diferente e tenta captar emoções, movimentos e reflexões de personagens bem mais convencionais.

Os protagonistas da história são muito bem construídos. George é o pai aposentado, Jean é sua esposa que começa um caso com um antigo amigo do marido, Katie é a filha que está prestes a se casar pela segunda vez, Ray é o noivo que não segue o padrão social desejado pela família, e Jaime é o filho homossexual com dificuldade de assumir o seu relacionamento.

Tentando evitar spoilers, posso dizer que o livro conta o dia a dia da família, composta por pessoas de gênios bem diferentes. Alguns mais expansivos, outros mais calados, brigões, pessoas com sentimentos guardados, mágoas, outras se descobrindo… Tudo isso às vésperas de um importante evento familiar.

Mark Haddon permeia toda a trama com a questão da vida após aposentadoria. Quando passamos a lidar com os desafios de ter mais tempo livre, menos energia para atividades e a mente livre para pensamentos, às vezes inoportunos e delirantes.

Acho que a vantagem de se aposentar é não fazer coisa nenhuma” P.68

O livro nos faz pensar de uma forma bem delicada sobre o processo de envelhecimento e as relações ampliadas de família. Quando somos pequenos, somos pai, mãe e irmãos. Ao ficarmos adultos, as famílias ganham personas extras no círculo familiar. Noras, genros, netos e amigos bem próximos se tornam parte da família. Essa família expandida, com dilemas não resolvidos, acaba se tornando uma bomba relógio, à ponto de explodir. Isso é tão real… É engraçado como identifiquei vários familiares e amigos entre os personagens.

O ponto fraco do livro é a narrativa confusa dos três primeiros. A história começa sombria e com personagens sem relevância na história. Só se compreende quem serão mesmo os protagonistas a partir do terceiro ou quarto capítulo. Mas a partir daí a história segue de forma mais dinâmica e realmente prende o leitor.

Com uma escrita leve e bem humorada, o autor nos leva a viver essa família e suas angústias às vésperas de um casamento. Se acontecerá ou não. Se a bomba emocional explodirá ou não. Isso eu não posso contar.

mark-haddon-uma-coisa-de-nada
Clique na imagem e confira na Estante Virtual
Erica Cardoso

Erica Cardoso

Gerente de Marketing em Estante Virtual
Erica Cardoso é Gerente de Marketing da Estante Virtual, mas também é leitora, filha, neta, irmã, muito tia, cunhada, nora, amiga e ama muito sua família expandida.
Erica Cardoso

Últimos posts por Erica Cardoso (exibir todos)

Comentários

Erica Cardoso

Erica Cardoso é Gerente de Marketing da Estante Virtual, mas também é leitora, filha, neta, irmã, muito tia, cunhada, nora, amiga e ama muito sua família expandida.

Um comentário em “[Resenha] Mark Haddon em “Uma coisa de nada”

  • 10.04.2017 a 4:39 pm
    Permalink

    oi gente
    gostei muito desse site, parabéns pelo trabalho. ;)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Shares