10 livros em memória de João Gilberto Noll

Vencedor de cinco Jabutis, o escritor gaucho João Gilberto Noll faleceu, nesta segunda-feira, aos 70 anos.

Nascido em Porto Alegre em 15 de abril de 1946, João Gilberto Noll tinha 18 livros publicados — 13 romances, três compilações de contos e duas obras infantojuvenis —, mas marcou seu nome na história da literatura brasileira com títulos como: O cego e a dançarina (1980), Hotel Atlântico e Harmada (1993). O autor foi vencedor de cinco prêmios Jabuti, o prêmio da Fundação Guggenheim, em 2002, e o prêmio da Academia Brasileira de Letras (ABL) de ficção, em 2004. Além de ter sido traduzido para o espanhol, o inglês e o italiano.

Quem é João Gilberto Noll

Ele viveu no Rio de Janeiro entre 1969 e 1986, onde concluiu a faculdade de Letras e fez inúmeras colaborações em jornais como “Folha da Manhã” e “Última Hora”, além de ministrar aulas na PUC-RJ. Em 2008, participou da Festa Literária de Paraty, lançando “Acenos e afagos”(Record), romance considerado pelo crítico José Castello “o mais forte e, por isso, o mais desprezado livro de Noll”.

Ele era um autor interessado em explorar o incosciente. Tanto que se dizia muito influenciado por Nelson Rodrigues — escritor que – em sua percepção – foi incomparável em tratar do inconsciente do homem médio. A solidão e a perda de sentido eram temas recorrentes em suas obras. O livro mais recente de Noll foi Solidão Continental, de 2012.

A confirmação de sua morte foi feita pela família na manhã desta quarta-feira, 29, vítima de mal súbito. Conhecido por sua reclusão, o autor morava sozinho em um apartamento em Porto Alegre. Mas era um grande incentivador da nova literatura na cidade, ministrando semanalmente uma oficina de contos.

10 importantes livros de sua autoria para conhecer sua trajetória

Este primeiro livro de contos, publicado em 1980, revelou o autor gaúcho no circuito literário brasileiro, obtendo o seu prêmio Jabuti daquele ano. Nos contos de Noll predominam a sensação de atordoamento, asfixia e urgência, características da literatura sombria com narrativas curtas do autor — uma delas, Alguma Coisa Urgentemente, foi adaptado pelo cineasta Murilo Salles em Nunca Fomos Tão Felizes (1983)

O cego e a dançarina, de João Gilberto Noll
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São dois desocupados. Ele, sem nome, passado ou profissão. Ela, uma prostituta-mendiga. Dois seres que fazem de tudo para manter seu caso de amor. Dominado por um erotismo sem limite, transbordando inquietação, angústia, sofrimento e beleza, ‘A fúria do corpo’ é considerado o livro mais barroco de João Gilberto Noll, uma obra que traça o percurso atordoante e cruel de uma história de amor.

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Narrado em primeira pessoa, esse romance trata de um relacionamento obsessivo e violento, entre um brasileiro e um americano. Vivendo na época entre o Brasil e os EUA, Noll construiu neste livro um protagonista que é escritor e vive amargurado — com dificuldades financeiras e em seus relacionamentos.

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Hotel Atlântico segue outro protagonista em deslocamento. Desta vez, sua jornada de descobertas e encontros com personagens inusitados tem início em um hotel de Copacabana, onde ele depara com cadáver — a partir dali, a morte lhe atormentaria constantemente ao longo da trama. Um livro de ação permanente, criada pelo olhar de um homem que se envolve com a paisagem em mutação e encontra pessoas que jamais participam pacificamente da sua vida.

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Aqui, o narrador é um pobre e anônimo poeta, o “animal” descrito no título. “Peguei o guardanapo de papel com o poema que eu guardava no bolso desde o embarque no Galeão”, descreve, em primeira pessoa, “ainda não me ocorrera um nome para ele, me perguntei se O Quieto Animal da Esquina não seria o título que aquele poema estava pedindo”.

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Romance adaptado para o cinema, pelo diretor Maurice Capovilla, em 2005, esta obra narra a história de um personagem em crise por não conseguir viver de sua arte — desta vez, trata-se de um ator.

Harmada, de João Gilberto Noll
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Na ilha, há um rio caudaloso e encorpado. Há um menino com jeito de índio, a vagar pelas ruas. E há um homem em busca de Marta – a filha desconhecida. São estes os elementos que o talento de João Gilberto Noll combina para construir sua narrativa sobre a preguiça. No seu texto de incomparável poesia, Noll dá um novo tratamento ao tema, mostrando o mais indolente dos pecados capitais como uma grande metáfora do desalento e apatia do homem contemporâneo.

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  • Lorde, de João Gilberto Noll

No aeroporto de uma Inglaterra gelada, um escritor brasileiro não sabe o que o aguarda. Recebera de um homem misterioso um convite, as passagens, a oferta de hospedagem e embarcara. Em Lorde, João Gilberto Noll, com seu estilo consagrado pela crítica, constrói um personagem que transita pelas ruas, hospitais, hotéis, estabelece relações passageiras com desconhecidos, e, como diz, apenas trocou a solidão que vivia no Brasil pela solidão que vive na Inglaterra. Neste livro, o autor expõe com primor as divagações de um sujeito que experimenta o desconhecido para se descobrir.

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Um dos mais importantes e aclamados autores da literatura brasileira, João Gilberto Noll é o mais novo integrante do time de escritores da Record. E a estréia vem em grande estilo com o lançamento do romance inédito Acenos e afagos e a reedição de outros cinco títulos. Em Acenos e afagos, Noll narra a história de um homem que abandona uma vida monótona para buscar sua verdadeira identidade e suas paixões.

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Solidão Continental narra a viagem de um homem, sem nome, de Chicago ao Sul do Brasil, passando pela Cidade do México. Não se sabe ao certo o que ele busca ou do que ele foge durante o périplo. Não há dúvida de que em Porto Alegre o personagem continua vagando, agora na companhia de um jovem que parece ser italiano. Um rapaz que misteriosamente desfalece no meio da jornada. E que o homem passa a carregar no ombro pelo interior do Rio Grande como uma louca via-crúcis, até que, finalmente, num hospital irrompe uma libertação mais que surpreendente.

Solidão continental, de João Gilberto Noll
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Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
Natália Figueiredo

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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

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