Resenha: O suspense de Gillian Flynn em “Garota exemplar”

Por Natalia Figueiredo

Será que estamos acostumados a ler sobre vilãs? Esqueça os contos de fadas. Estou falando de vilãs fortes e calculistas, que passam bem longe do modelo feminino e delicado devidamente desenhado para compor o perfil de uma mulher. Em Garota Exemplar, a filha e esposa perfeita Amy Elliot desaparece no dia do seu 5º aniversário de casamento, deixando vestígios trágicos e o principal suspeito é o seu marido, Nick Dunne. O caso ganha notoriedade nacional, devido a fama de Amy.

O relacionamento em crise, traições, a carreira em decadência e a mudança de Manhattan para a pequena cidade no Missouri, às margens do Mississipi, vão dando o tom desse eletrizante mistério. A autora, Gillian Flynn, apresenta um emblemático cenário de suspense a partir dos relatos no diário de Amy, às contradições de Nick – que precisa provar sua inocência e, ao mesmo tempo, descobrir o paradeiro da esposa – e as novas pistas que vão sendo montadas. Aliás, Amy adora brincar com pistas e elas vão movimentando o caso.

É possível formular um milhão de teorias mirabolantes até a verdade surgir. Mas não no formato de uma verdade absoluta. Os personagens muito bem construídos – e psicologicamente perturbados – garantem o ritmo da obra e plantam a dúvida sobre os perigos de viver e dormir com alguém que, ao mesmo tempo, conhece você tão bem, mas que pode virar um completo estranho.

Toda história tem dois lados

A obra ganhou destaque ao conseguir a proeza de desbancar Cinquenta Tons de Cinza do primeiro lugar dos mais vendidos do site da Amazon. Lançado em junho de 2012 nos Estados Unidos, o livro entrou para o topo da lista de bestsellers do New York Times e vendeu em 37 semanas três milhões de exemplares. Ganhou adaptação para o cinema nas mãos de David Fincher, em 2014. Tenho minhas dúvidas sobre as escolhas da autora ao fim do enredo, mas todo o percurso para chegar até lá, com certeza, valeu a pena. Uma obra delicadamente bem construída.

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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

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