Clubes de leitura: Uma boa maneira de compartilhar histórias

Já foi comprovado que a leitura é um dos melhores exercícios para a mente. Ela nos torna mais felizes, ajuda a enfrentar melhor a nossa existência, reduzindo o estresse e aumentando a inteligência emocional, o autoconhecimento e o cultivo da empatia. No entanto, todos esses benefícios tornam-se muito mais interessantes quando podemos dividi-los com outras pessoas que compartilharam essa mesma experiência.

A partir dessa proposta, uma prática antiga que vem ganhando novos adeptos nos últimos anos são os clubes de leitura. Grupos físicos ou virtuais, onde leitores debatem sobre uma obra específica, um autor ou mesmo um tema na literatura. Organizados por livrarias, bibliotecas ou grupos ativistas da sociedade civil, eles estão no Brasil inteiro e dão fôlego ao mercado literário. Transformando a literatura, de um prazer individual à possibilidade de conectar pessoas com interesses em comum.

Encontre seu clube

Para quem nunca participou de um clube o que não faltam são opções. A Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, mantém uma roda de leitura mensal, em parceria com a editora Companhia das Letras e com divulgação da programação nas redes sociais; O coletivo Leia Mulheres promove discussões sobre a literatura escrita por autoras, em cerca de 40 cidades brasileiras e o aplicativo Meetup concentra diversos clubes literários divididos por cidades do mundo todo.

“Lançamos o projeto em março de 2015 e a recepção tem sido ótima desde então. Estamos em diversas cidades, somos citadas em algumas matérias, editoras nos procuram para mostrar lançamentos de autoras. Muitas autoras entram em contato e isso nos mostra como falta lugares para essas escritoras mostrarem sua produção literária e o público, até então, também não sabia onde procurar”, explica Juliana de Souza Leuenroth – uma das fundadoras do Leia Mulheres. O coletivo, presente em 20 estados brasileiros, foi fundado por três mulheres e hoje conta com cerca de 100 mediadoras em todo país.

Na hora de escolher quais obras serão abordadas pelo grupo, Juliana afirma que, em geral, buscam livros acessíveis, que não custem muito caro, que não estejam esgotados e que sejam facilmente encontrados nas livrarias, sebos e bibliotecas. Mas ainda assim, “muitas autoras estão com edições esgotadas ou, no caso das estrangeiras, nunca foram editadas no Brasil”, completa. Durante os debates um dos pontos importantes é trabalhar com temáticas variadas. “Algumas discussões são mais acaloradas e despertam opiniões diversas, outras são mais emocionais, principalmente quando conversamos sobre livros que tratam de violência contra a mulher, mas cada encontro funciona de uma maneira diferente”, finaliza.

Clube de leitura Leia Mulheres em São Paulo

Um clube para chamar de seu

Mesmo com diversas opções de clubes, ainda assim, pode acontecer de nenhum deles alinhar-se ao seu tipo de leitura. Nesse caso, por que não criar seu próprio grupo? Um exemplo de “clube privado” é o Humanamente de Humanas, grupo que conecta 110 internautas de diversas partes do Brasil dispostos a conversar sobre temas sociais, políticos e culturais, além de atualidades. O laço que começou virtualmente acabou unindo os participantes também no mundo real, promovendo encontros e visitas entre eles. Em dezembro de 2016, para celebrar o clube, os envolvidos organizaram um amigo oculto virtual, tendo como base a Estante Virtual para escolher os presentes, que não poderiam ser diferentes: livros. <3

Um dos responsáveis pelo grupo é o gaúcho Daniel Barbosa, que curiosamente não é de humanas, mas sim profissional de TI. “Fizemos o sorteio e cada um deu o seu endereço e o site da Estante foi a base para que isso funcionasse. Todos receberam seus presentes e fizemos um encontro online no grupo para tentar adivinhar quem havia tirado quem. Todos podiam tentar adivinhar e a pessoa deveria abrir o presente na hora. Foram quatro horas de brincadeira entre 22 pessoas. Uma proposta legal que uniu gente de norte a sul”, contou Daniel. Além de enviar os livros, a dinâmica ainda incentivava que as pessoas que receberam o presente enviassem uma carta de agradecimento ao seu amigo. Incentivando, além da leitura, a escrita também.


E você, também gostaria de compartilhar suas histórias?

*Foto de capa: Fundadoras do Leia Mulheres Michelle Henriques, Juliana Gomes e Juliana Leuenroth.

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Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
Natália Figueiredo

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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

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