O pioneirismo e a vida excêntrica de Hunter S. Thompson

O autor de Hell’s Angels e Diário de um jornalista bêbado tirou a própria vida em 20 de fevereiro de 2005.

A escrita ácida e o pessimismo foram características marcantes nos registros de Hunter S. Thompson. O jornalista americano ganhou fama após viajar durante um ano por oito países da América do Sul, onde foi correspondente para a National Observer. Antes, ele já havia sido dispensado da revista Time e do jornal da Força Aérea, por insubordinação. Intolerante às regras comuns, ele vivia um estilo de vida inspirado no movimento Beat.

Em 1965, Thompson conseguiu seu primeiro grande sucesso. Morando em San Francisco, ele conheceu membros da famosa gangue de motociclistas fora-da-lei Hell’s Angels. Ele foi contratado para escrever sobre o fenômeno das gangues de motociclistas, e o resultado foi o livro Hell´s Angels – Medo e delírio sobre duas rodas, lançado em 1966. Thompson havia passado um ano convivendo com membros deste grupo e o resultado foi um retrato completo, sociológico, antropológico, psicológico e político do fenômeno das gangues de motociclistas, seus problemas com a polícia, o envolvimento com a contracultura da época e o tratamento na grande mídia americana. É considerado um clássico do New Journalism.

Morto em 2005, Thompson criou um gênero para si, chamado jornalismo gonzo. O formato dispensava a objetividade conhecida na área e tornava o autor partícipe das ações que descrevia. O termo foi batizado pelo amigo Bill Cardoso, depois de ler o texto “O Kentucky Derby é decadente e depravado”, publicado no Brasil dentro da obra: A grande caçada aos tubarões. No entanto, Thompson, ainda não costuma ser visto com bons olhos pelo meio acadêmico, justamente pela vida desregrada que levava, regada a drogas e álcool.

Em passagem pelo Rio de Janeiro, o escritor chegou a prever o golpe militar de 1964. Segundo Francisco Pires, em reportagem para a Carta Capital, cinco das quatro reportagens sobre o Rio de Janeiro para o National Observer tratavam da instabilidade político-econômica brasileira. Em janeiro de 1963, um ano e dois meses antes do fatídico 31 de março, Thompson especulou sobre a deposição do presidente João Goulart. “Uma revolução, mesmo uma sem armas, provavelmente viria de dentro das Forças Armadas”, previu. “Além disso, ela seria bem-sucedida. O presidente não tem a maioria dos militares a seu lado para sobreviver a um confronto.” Para ele, o Brasil seguia a trajetória histórica dos países da região. “Onde a autoridade civil é fraca e corrupta, os militares tomam o poder automaticamente”. Conheça seus livros!


Hell’s Angels: Medo e delírio sobre duas rodas, de Hunter S. Thompson

Lançado em 1967, no mesmo ano do Verão do Amor, Hell’s Angels foi o primeiro livro publicado por Hunter S. Thompson, então já bastante conhecido como jornalista. Trata-se de um retrato brutal e violento do ano que ele passou convivendo com a gangue de motociclistas que, talvez naquela época mais do que em qualquer outra, aterrorizava a sociedade americana com suas motos, suas jaquetas de couro pretas, seu desafio à decência pública e um histórico de crimes violentos envolvendo seus membros.

Hells Angels medo e delírio sobre duas rodas, de Hunter S. Thompson
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Medo e delírio em Las Vegas: Uma jornada selvagem ao coração do sonho americano, de Hunter S. Thompson

A obra-prima de Hunter S. Thompson  ganhou uma edição especial no Brasil, com as ilustrações ensandecidas de Ralph Steadman. O livro foi adaptado para o cinema em 1998, pelo diretor Terry Gilliam e estrelado por Johnny Depp e Benício Del Toro. Marco na contracultura, é a busca ensandecida pelo verdadeiro sonho americano – uma jornada terrível, acompanhada por Rolling Stones, LSD, Jefferson Airplane e a paranóia dos EUA de Richard Nixon, rumo ao coração do deserto, pulsando hipnotizante com o seu néon. Um jornalista norte-americano e seu advogado samoano embarcam num Chevy vermelho conversível, com a missão de cobrir uma corrida de motocicletas em Las Vegas. Para enfrentar essa laboriosa tarefa, enchem o porta-malas do carro alugado com um estoque interminável de drogas e saem dirigindo pelo deserto de Nevada.

Medo e delírio em Las Vegas Uma jornada selvagem ao coração do sonho americano,
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Rum: Diário de um jornalista bêbado, de Hunter S. Thompson

Quando Hunter Thompson iniciou a escrita desta obra, estava com 22 anos e tinha se mudado há pouco para San Juan, em Porto Rico, para trabalhar como jornalista. Quando Paul Kemp, o protagonista do livro, desembarca na mesma cidade para trabalhar no Daily News, é com a intenção de deixar para trás a correria de Nova York. Em comum entre os dois há também o gosto pelo jornalismo, pelo rum e pelas mulheres. Esse foi o seu primeiro trabalho, mas o último a ser publicado.

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Reino do medo, de Hunter S. Thompson

Esta é a aguardada autobiografia de Hunter S. Thompson. Publicada em 2003, Reino do medo reúne artigos, cartas, entrevistas, fotos e matérias de imprensa, selecionados e organizados pelo próprio Hunter. A colagem é completada com comentários, reflexões e textos inéditos, sempre no inimitável estilo gonzo que o consagrou.

Reino do medo
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A grande caçada aos tubarões, de Hunter S. Thompson

As principais matérias de um ícone do jornalismo estão reunidas aqui. Das eleições presidenciais norte-americanas à cultura hippie, do caso Watergate à violência policial, nada escapa da metralhadora giratória do mais ácido jornalista da América. O livro também traz artigos que contam sua passagem pela América do Sul, onde o estilo de vida da elite local sofre uma verdadeira devassa pelos olhos deste escritor que inventou a subjetividade jornalística. Entre histórias inacreditáveis e situações absolutamente absurdas, surgem personagens impagáveis, como o ilustrador britânico Ralph Steadman, que o Dr. Thompson consegue meter nas mais incríveis roubadas, e Yail Bloor, companheiro de uma enlouquecida viagem de avião do México aos EUA, regada a todo tipo de droga.

A grande caçada aos tubarões, de Hunter S. Thompson
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Screw Jack, de Hunter S. Thompson

Hunter S. Thompson foi o criador do estilo gonzo, mas não era apenas esse o segredo de seu sucesso. Os temas de suas investigações eram incomuns e normalmente desafiavam as noções de perigo, tanto físico, quanto psicológico, do próprio repórter. Seus personagens, apesar de reais, são figuras no mínimo estranhas. Pessoas que beiram o comportamento insano, construindo um retrato fiel da paranoia e da ansiedade que marcaram os acontecimentos do século XX. Screw Jack é um resumo da natureza de Thompson. Nele os leitores conhecerão crônicas incríveis, escritas durante sua primeira experiência com mescalina, além de serem apresentados ao seu alter ego, Raoul Duke.

Screw Jack, de Hunter S. Thompson
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E você, já conhecia os livros do autor? Comente e participe!

Comentários

Um comentário em “O pioneirismo e a vida excêntrica de Hunter S. Thompson

  • 24.03.2017 a 3:05 pm
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    muito bom o seu artigo

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