6 livros essenciais de Tzvetan Todorov

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O pensador franco-búlgaro, Tzvetan Todorov, morreu aos 77 anos em Paris.

Um dos maiores intelectuais contemporâneos nos deixou nesta terça-feira, 7 de fevereiro. O linguísta, historiador e crítico literário, Tzvetan Todorov, autor de ensaios como A experiência totalitária, Os inimigos íntimos da democracia e O medo dos bárbaros: para além do choque das civilizações, analisava as chamadas  tendências totalitárias nas democracias contemporâneas: a xenofobia, a falta de pluralismo e a expulsão dos imigrantes.

Apesar de nascido e educado na Bulgária, durante o período comunista, Todorov vivia na França desde 1963, onde se tornou um importante analista cultural. As experiências políticas de países vizinhos, como Rússia e Alemanha, influenciaram o pensador em diversos ensaios. Em entrevista ao El País, o autor explicou as características que unia os dois países. “Os nazistas e os governantes da Rússia comunista não eram a mesma coisa: tinham muitas diferenças. Mas os unia o ódio ao outro, ao que não os obedecesse”, disse.

Todorov foi professor visitante das universidades de Yale, Harvard, Columbia e Berkeley. Em 2008, recebeu na Espanha o Prêmio Príncipe de Astúrias de Ciências Sociais como um referencial indiscutível do pensamento europeu contemporâneo. Relembre suas obras.


A gramática do Decameron, de Tzvetan Todorov

Neste estudo sobre o Decameron, T. Todorov encontra na obra-prima de Boccaccio um exemplo privilegiado e mesmo paradigmático para as análises das estruturas da narração, dando importante contribuição às pesquisas sistemáticas da narratologia, com base numa hipótese metodológica que vem tentando de há muito os melhores expoentes da ciência da lingüística – a da existência de uma gramática universal. Críticos, lingüistas, teóricos da literatura e professores de áreas afins terão, pois, na Gramática do Decameron, um instrumento valioso de reflexão e trabalho, seja para o desenvolvimento teórico, seja para o ensino.

A gramática do Decameron, de Tzvetan Todorov
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Uma Tragédia Francesa, de Tzvetan Todorov

Uma tragédia francesa é o relato do drama da cidade francesa de Saint-Amand-Montrond, palco de um confronto tardio entre resistentes e milicianos que reproduz os derradeiros combates entre os exércitos aliados e alemães em 1944. Neste livro, construído e redigido como uma tragédia antiga, Tzvetan Todorov reconstitui om grande riqueza de detalhes um episódio da implacável guerra civil que fez os franceses combaterem a si mesmos. Segundo o autor, estes eventos “não mostram apenas o confronto de identidades abstratas – os “alemães”, os “colaboradores”, os “resistentes”, os “civis” -, mas confrontam os próprios indivíduos uns aos outros, questionando assim sua responsabilidade pessoal.

UMA_TRAGEDIA_FRANCESA
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Goya à sombra das luzes, de Tzvetan Todorov

No final de 1792, Goya contraiu uma doença misteriosa que o deixou de cama durante várias semanas. Em janeiro do ano seguinte, parcialmente restabelecido, estava totalmente surdo. O pintor aragonês era um dos artistas prediletos da corte espanhola, retratista de reis, nobres e damas da corte, além de autor de pinturas com temas bíblicos sob encomenda da Igreja. A surdez repentina e completa, segundo Tzvetan Todorov, marcou uma profunda transformação em seu modo de pintar, desenhar e ver o mundo. Num percurso semelhante ao de seu contemporâneo Beethoven, o profeta do romantismo que também padeceu de surdez, Goya começou a abandonar a representação da realidade objetiva e a reverência aos cânones acadêmicos para se concentrar nas visões fantasmáticas que o obcecavam.

GOYA À SOMBRA DAS LUZES
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O medo dos bárbaros, de Tzvetan Todorov

As sociedades marcadas pelo medo ou impregnadas de ressentimento estão, atualmente, em uma encruzilhada: elas podem favorecer ainda mais essas paixões ou tentar conter seus efeitos perversos. Se essas sociedades permanecem confinadas em uma relação dual, de rivalidade e de confronto, elas correm o risco de ilustrar, uma vez mais, a lei pressentida anteriormente: cada golpe desferido por um dos adversários provoca no outro um golpe de intensidade ainda maior.

O medo dos bárbaros, de Tzvetan Todorov
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O homem desenraizado, de Tzvetan Todorov

A sensação de pertencer a duas culturas ao mesmo tempo é o tema de ‘O homem desenraizado’, no qual Tzvetan Todorov reflete sobre a Bulgária, país onde cresceu, a França, país do qual ele se sente cidadão, e ainda sobre os Estados Unidos, que visita anualmente.

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Os inimigos íntimos da democracia, de Tzvetan Todorov

Em 2003, a invasão do Iraque pelas forças armadas norte-americanas e a consequente deposição do regime de Saddam Hussein foram baseadas num jogo de mentiras e meias verdades que estarreceu o mundo. As armas de destruição em massa supostamente à disposição do Exército iraquiano jamais foram encontradas, e desde então tem sido quase impossível justificar essa desastrosa intervenção militar sem admitir que os interesses da indústria do petróleo sempre estiveram por trás do discurso pró-democracia evocado pela coalizão ocidental. Do mesmo modo, em nome de valores universalmente reconhecidos como autodeterminação dos povos e direitos humanos, os bombardeios da OTAN que se seguiram à recente revolução popular na Líbia reeditam os piores episódios do imperialismo europeu no século XIX.

OS INIMIGOS ÍNTIMOS DA DEMOCRACIA


E você? Qual a sua obra preferida do autor?

Comentários

Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

5 comentários em “6 livros essenciais de Tzvetan Todorov

  • 05.11.2017 a 9:35 am
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    VOU LÊ-LOS.

  • 09.03.2017 a 8:24 am
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    O sr. quis dizer desde Fernando Collor, pois apenas mudaram as siglas, mas a essência continuou a mesma.

  • 15.02.2017 a 9:42 pm
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    “A conquista da América – a questão do outro” foi um belíssimo livro de Todorov que me acompanha até hoje. “A literatura em perigo” também é essencial.

  • 11.02.2017 a 10:03 pm
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    Amei as dicas!

  • 09.02.2017 a 3:27 pm
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    Tenho a intenção de ler Todorov para me enriquecer e atualizar. Pena não te-lo feito em vida…

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