Milton Hatoum: Muito além de “Dois irmãos”

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Hatoum escreveu muito sobre dramas familiares, desencontros e a cultura manauara.

O escritor manauara, Milton Hatoum, voltou com tudo para a atenção da mídia, devido a adaptação para a televisão de seu livro Dois irmãos, vencedor do Jabuti e traduzido para oito idiomas. A série homônima acabou estimulando as vendas da publicação que passaram de 60 unidades semanais nas livrarias, para 1.060 unidades vendidas na última semana de 2016.

Nascido em 1952, Milton Hatoum estreou na ficção com Relato de um certo Oriente, publicado em 1989 e vencedor do prêmio Jabuti de melhor romance do ano. O escritor e tradutor brasileiro, descendente de libaneses, trabalhou como jornalista cultural e foi professor universitário de História da Arquitetura. Em 1980 viajou como bolsista para a Espanha, onde morou em Madri e Barcelona. Depois passou três anos em Paris, onde estudou literatura comparada na Sorbonne.

Hatoum, definitivamente, conquistou a crítica. Autor de quatro romances premiados, suas obras foram traduzidas em 12 línguas e publicadas em 14 países. Temos muita coisa para adicionar a lista de leitura além de Dois irmãos. Confira:


Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum

Após um longo período de ausência, uma mulher regressa a Manaus, cidade de sua infância. Deseja encontrar Emilie, a extraordinária matriarca de uma família libanesa há muito radicada ali. Encontra a casa desfeita — como desfeitas para sempre estão as casas da infância. Situado entre o Oriente e o Amazonas, este relato é a busca de um mundo perdido, que se reconstrói nas falas alternadas das personagens, longínquos ecos da tradição oral dos narradores orientais.

relato de um certo oriente
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Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum

Na pele de personagens como Arminto e Dinaura, Florita e Estiliano, Milton Hatoum concentra — num relato de sonho e pesadelo, ambientado no final do ciclo seringueiro na Amazônia — a vasta matéria que vem explorando desde Relato de um certo Oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte. Numa cidade à beira do rio Amazonas, um passante vem procurar abrigo à sombra de um jatobá e, incauto ou curioso, dispõe-se a ouvir um velho com fama de louco. É o que basta para Arminto Cordovil começar a contar a história de Órfãos do Eldorado: a história de seu próprio amor desesperado por Dinaura, mas também a crônica de uma família, de uma região e de toda uma época que, à base da seiva da seringueira, quis encarnar os sonhos seculares de um Eldorado amazônico.

orfãos do eldorado
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Cinzas do Norte, de Milton Hatoum

Cinzas do Norte, terceiro romance de Milton Hatoum, é o relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. Na Manaus dos anos 50 e 60, dois meninos travam uma amizade que atravessará toda a vida. De um lado, Olavo, de apelido Lavo, o narrador, menino órfão, criado por dois tios mal-e-mal remediados, que cresce à sombra da família Mattoso; de outro, Raimundo Mattoso, ou Mundo, filho de Alícia, mãe jovem e mercurial, e do aristocrático Trajano. No centro das ambições de Trajano está a Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo. A fim de realizar suas inclinações artísticas, ou quem sabe para investigar suas angústias mais profundas, o jovem engalfinha-se numa luta contra o pai, a província, a moral dominante e, para culminar, os militares que tomam o poder em 1964 e dão início à vertiginosa destruição de Manaus. Nessa luta que se transforma em fuga rebelde, o rapaz amplia o universo romanesco, que alcança a Berlim e a Londres irrequietas da década de 1970, de onde manda sinais de vida para o amigo Lavo, agora advogado, mas ainda preso à cidade natal.

Cinzas do Norte, de Milton Hatoum
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A cidade ilhada, de Milton Hatoum

Nos contos breves de A cidade ilhada, Milton Hatoum lança seus personagens num vaivém incessante e vertiginoso, vivido ou apenas imaginado, entre Paris e Bangcoc, Barcelona e Berkeley, em meio a desencontros, exílios, fantasmas da família e da província.

A cidade ilhada
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Um solitário à espreita, de Milton Hatoum

Além de ficcionista, Hatoum também é cronista de mão cheia, espraiando seu texto leve e inteligente por diversas publicações. Dividido em quatro seções que dão conta de temas como língua e literatura, a realidade, a memória e os afetos, além de pequenas fabulações, Um solitário à espreita traz para a forma da crônica, este gênero tradicionalmente praticado por alguns dos melhores autores brasileiros, a visão de mundo e as opiniões de Milton Hatoum. O futuro da literatura, a dureza dos anos vividos sob o regime militar, a realidade cambiante das nossas grandes cidades – tudo isso vem embalado numa prosa tão gentil quanto especulativa, tão sagaz quanto calorosa. Um passeio delicioso, em suma.

Um solitário à espreita, de Milton Hatoum
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Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é responsável pelo Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.
Natália Figueiredo

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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é responsável pelo Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.

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