Cinco obras de Ferreira Gullar

Política vira historia e a poesia continua viva, o adeus a Gullar

No dia 04 de dezembro, o país amanheceu mais triste. Ferreira Gullar faleceu, em virtude de uma pneumonia aos 86 anos, no Rio de janeiro. Nascido em São Luís, no Maranhão, em 1930, ele não foi apenas poeta, mas também criador de cordel, crítico literário e de artes, biógrafo, tradutor, ensaísta e dramaturgo.

Seu nome, na verdade, era José Ribamar Ferreira, mas ao 18 anos o modificou adotando o “Goulart” materno, adaptado a uma grafia portuguesa. Durante a adolescência, descobriu a poesia clássica. Já em 1954, publicou um dos livros mais polêmicos de sua geração: A luta corporal. No início dos anos 1960, passou a escrever poesia de participação social. Durante o governo militar, morou fora do país de 1971 a 1977. Nesse período, colaborou com O Pasquim, sob o pseudônimo de Frederico Marques.

Vários de seus livros já receberam os mais importantes prêmios de literatura, inclusive os poemas para crianças. Poema sujo é considerado um marco na literatura brasileira e foi traduzido para diversas línguas. Escrito em 1975, quando o poeta amargurava num terrível exílio político em Buenos Aires, esta é uma obra desesperada pela liberdade. Também uma espécie de testamento, pois, incomodado por militares de cada país onde estava, Gullar sentia-se solitário e acuado.

O livro chegou ao Brasil gravado em uma fita, trazida por Vinicius de Moraes e publicado no ano seguinte pela editora Civilização Brasileira. O lançamento foi no Rio de Janeiro, mas sem a presença do autor, e tornou-se um ato pela volta de Gullar, que acabou retornando ao Brasil em 10 de março de 1977.

Conheça essa e outras obras do autor e homenageie Gullar lendo seus livros :)


Poema sujo, de Ferreira Gullar

O livro nasceu num momento difícil da história do país e em circunstâncias dramáticas da vida de Ferreira Gullar, um dos maiores poetas brasileiros, então no exílio. Por sua força e pelo que representa para todos nós, esteve cada vez mais presente e se tornou o mais conhecido e estudado poema do autor. Confirmando sua universalidade, a obra ainda ganhou traduções em Cuba, Colômbia, França, Espanha, Alemanha, Suécia e Estados Unidos.

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Toda poesia, de Ferreira Gullar

A poesia do esritor está marcada, desde o início, por um intenso e radiante cromatismo por uma viva preocupação plástico-visual que o levou, inclusive, à aventura concretista e, pouco depois , ao fecundo exercício da crítica de arte, tal como o vemos num poeta da estrutura de Baudelaire. Apesar da autenticidade de seu engajamento político-social, Ferreira Gullar não pôde (e nem deveria) desvencilhar-se de suas lembranças “sujas” ou não, desse passado que, queira ele ou não, está gravado a ferro e fogo em sua alma.

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Muitas vozes, de Ferreira Gullar

Lançado em 1999, após doze anos sem publicar, Muitas vozes é mais reflexivo, onde temas como a vida, a morte e as memórias de infância estão presentes de forma mais amena e madura.

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A luta corporal, de Ferreira Gullar

Primeiro livro de Ferreira Gullar, a luta corporal foi um dos mais discutidos de sua geração. As experimentações gráficas contidas na publicação motivaram sua aproximação com Décio Pignatari e Augusto e Haroldo de Campos, que lançariam mais tarde o movimento da poesia concreta (1956). Inicialmente, Gullar participou do movimento, mas rompeu em 1959 para criar o grupo neoconcretista.

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Na vertigem do dia, de Ferreira Gullar

Aqui, o autor nos apresenta poemas que, além de acabadas realizações literárias, estéticas e intelectuais, constituem um verdadeiro mergulho nas camadas mais profundas da condição humana, fruto que são de anos e anos de lúcido e conseqüente engajamento poético.

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Gostou? Clique e veja a sua obra favorita de Ferreira Gullar!

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Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
Natália Figueiredo

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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

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