‘A resistência’, de Julián Fuks é o vencedor do Jabuti

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Na história, Fuks retorna à história da Argentina dos anos 1970

A Câmara Brasileira do Livro divulgou o resultado da 58ª edição do Prêmio Jabuti, o mais tradicional troféu literário brasileiro. “A resistência” (Companhia das Letras), do escritor paulistano Julián Fuks, foi o vencedor na categoria Romance. O segundo lugar foi para “Bazar Paraná” (Benvirá), de Luis S. Krausz, e a terceira posição para “Desesterro” (Record), de Sheyla Smanioto. Fuks concorria com livros favoritos pela crítica, entre eles, “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva e “Mulheres Que Mordem”, de Beatriz Leal e, anteriormente, já havia sido finalista do prêmio com o livro “Procura do Romance”.

Na obra vencedora, A resistência, há uma obsessão pela origem, mas de ordens diversas. O livro é um retorno à história da ditadura na Argentina dos anos 1970, narrada pelo filho caçula de um casal de psicanalistas que adotaram um menino quando moravam naquele país. Envolvidos com a militância política, eles partem para o exílio em São Paulo, onde terão mais dois filhos. O livro é também um retorno à história dessa adoção, que faz reverberar no ambiente familiar a inquietude da época.

Mais vencedores

Na categoria Poesia, o cantor, compositor e escritor Arnaldo Antunes ficou em primeiro com “Agora aqui ninguém precisa de si” (Companhia das Letras). O segundo lugar foi para Salgado Maranhão, com “Ópera de Nãos” (7Letras), e o terceiro lugar para Leonardo Aldrovandi, com “Da lua não vejo a minha casa” (V. de Moura Mendonça Livros). Na categoria Contos e Crônicas, a vencedora foi Natalia Borges Polesso com “Amora” (Não Editora), derrotando o veterano Luis Fernando Veríssimo, autor de “As mentiras que as mulheres contam” (Objetiva), que ficou em segundo lugar, enquanto “Eles não moram mais aqui” (Editora Patuá), de Ronaldo Cagiano, ficou em terceiro. Inicialmente, o autor sergipano Antonio Carlos Viana seria o escolhido. Porém como ele morreu, aos 72, em outubro, a comissão julgadora entendeu que seu livro não poderia ser premiado. O autor ficou com um troféu in memoriam por “Jeito de matar lagartas” (Companhia das Letras) na categoria.

Na categoria Biografias, o vencedor foi “ Mário de Andrade: Eu sou trezentos: Vida e obra ” (Edições de Janeiro), do carioca Eduardo Jardim, seguido por “Tancredo Neves: A noite do destino” (Civilização Brasileira), de José Augusto Ribeiro, e “D. Pedro: A história não contada” (Leya), de Paulo Rezzutti. Na categoria reportagem e documentário, Daniela Arbex venceu com “Cova 312” (Geração). “A outra história da Lava-jato” (Geração), de Paulo Moreira Leite, e “A noite do meu bem” (Companhia das Letras), de Ruy Castro, ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

A cerimônia de entrega do Prêmio Jabuti 2016 aos vencedores será no dia 24 de novembro, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Na ocasião serão conhecidos os livros do ano de ficção e não ficção, cujos autores receberão R$ 35 mil cada um. Os vencedores de cada uma das 27 categorias receberão R$ 3.500. Veja a lista completa de vencedores no site oficial!

Confira as obras de Julián Fuks disponíveis na Estante Virtual:


A resistência, de Julián Fuks

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Clique na imagem e confira na Estante Virtual

Uma expedição pessoal ao passado – político e emocional – de uma família latino-americana às voltas com uma feroz ditadura e com a agridoce experiência do exílio. “Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado.”, escreve, logo na primeira linha, Sebastián, narrador deste romance. Como em diversas obras que tematizam a Guerra Suja — o regime de terror inaugurado em 1976 na Argentina —, A resistência envereda pela memória pessoal e nacional.


Procura do Romance, de Julián Fuks

Existe uma história, se toda metáfora e toda memória são insatisfatórias?, perguntase este romance. Ao escrever, Julián Fuks aplicase no combate entre a consciência extrema da narração, comandada pela desconfiança de que toda palavra é um desvio das ocorrências, e a força das lembranças, que Sebastián está convocando e revivendo, em sua viagem de volta à infância, a Buenos Aires.

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Histórias de Literatura e Cegueira, de Julián Fuks

Neste livro, a partir da vida e da obre dos escritores Jorge Luis Borges, João Cabral de melo Neto e James Joyce, o autor constrói pequenas histórias fragmentadas de possibilidades de momentos da vida de cada um. Cenas de criação de poemas, contos, ensaios e romances são abordadas sob uma visão original, construindo ficção em cima da ficção.

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Menina de papel, de Julian Fuks e Thiago Lopes

Tem gente que passa despercebida. Gente discreta que não mora no mundo, que quase não chega a ocupar a própria vida. Líria é uma dessas pessoas: sua existência parece se dar em outro universo, feito de velhos hábitos, dias comuns, gestos repetidos. Só quem olha para ela de muito perto, só quem enfim a conhece pode chegar a entender a riqueza oculta que existe em sua rotina. A história de Líria pertence aos livros. E, tantas vezes, nas histórias mais simples é que se escondem as grandes surpresas, as aventuras mais sensíveis.

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Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e Eu, de Julián Fuks

Tinha aquele olhar cinematográfico, atento, fechado, aquele que tanto lhe agradava. Sentiu-se feliz por isso. Feliz não, contente. Olhou nas mãos, olhou velocidades. Olhou passos, e sapatos. Poucos tinham saltos. Quantos ali, quantos daqueles passantes, antecipavam suas inevitáveis perdas? Quantos tinham perdas e quantos ainda iam ter? Quantos daqueles passos iam ao encontro certeiro de outros passos? Talvez os que não trajassem saltos. Quantas daquelas bolsas carregavam cartas de amor, amor bilateral mesmo?

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Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é responsável pelo Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.
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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é responsável pelo Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.

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