Dia do Cinema Brasileiro: Um panorama da cena nacional

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A data homenageia a primeira exibição cinematográfica pública

O dia 5 de novembro é considerado o Dia Nacional do Cinema Brasileiro. A data homenageia a primeira exibição cinematográfica pública do País, que aconteceu em 1896, no Rio de Janeiro. Mas ainda há uma divergência em relação à comemoração, em alguns locais, a data da celebração é o dia 19 de junho, dia em que foi realizada a primeira filmagem em terras brasileiras. A filmagem retrata a vista da Baía de Guanabara, filmada pelo italiano Alfonso Segreto, em 1898.

Em 1975, o Brasil chegou a ter 3.300 salas cinema, sendo 80% apenas em cidades do interior. A realidade no país foi mudando e esse número caiu para apenas 1.000 salas em 1995. Hoje, os números voltaram a crescer e segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o parque exibidor brasileiro encerrou 2015 com 3.005 salas funcionando, alcançando patamares do final da década de 70. No entanto, as salas de cinema de rua representam apenas 10,18% do parque exibidor.

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Importantes obras fizeram parte da história cinematográfica do País e levaram multidões para as salas de cinema. O filme Tropa de Elite 2, de 2010, teve 10,74 milhões expectadores, Se eu fosse você 2, em 2009, levou 6,1 milhões de pessoas e Dona Flor e seus dois maridos, em 1976, carregou 10,73 milhões expectadores. Apesar de ter tido um vácuo no início dos anos 90, época em que o governo Collor (1990-1992) fechou a Embrafilme, o Concine, o Ministério da Cultura e acabou com as leis de incentivo, entre a segunda metade dos anos 90, quando houve a retomada da produção nacional em maior número, alguns diretores brasileiros ganharam renome internacional. Em 2004, Cidade de Deus foi indicado a quatro prêmios Oscar, incluindo a categoria de melhor direção para Fernando Meirelles. Central do Brasil, de Walter Salles, em 1998, e Tropa de Elite, de José Padilha, em 2008, receberam o Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim.

Hoje, o cinema brasileiro vem ganhando espaço principalmente na cena independente, com produções fora de estados tradicionais, como Rio de Janeiro e São Paulo. Um exemplo é o primeiro longa-metragem do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, O Som ao Redor, que recebeu ótimas críticas e prêmios em festivais como o de Roterdã. A literatura guarda muitas reflexões sobre a linguagem cinematográfica e sua evolução. Além do estilo e história de grandes cineastas e filmes, destrinchando ângulos, câmeras, iluminação, cenário, elenco e técnicas. Relembramos algumas obras que ajudam a expandir os conhecimentos sobre a produção nacional. Veja:


Central do Brasil – João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein

Se o roteiro é a alma de um filme, os roteiristas Marcos Bernstein e João Emanuel Carneiro fizeram de Central do Brasil não só uma obra inspirada de qualidade e competência. Eles ajudaram a escrever o filme mais premiado da história do cinema brasileiro.

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Revolução do Cinema Novo – Glauber Rocha

Escrito na sequência dos artigos do primeiro volume da série Revisão crítica do cinema brasileiro e após a finalização de A idade da Terra (1980), seu último longa-metragem, este livro tem duas partes distintas. Na primeira, Glauber ordena artigos publicados ao longo dos anos anteriores, transcreve debates e retoma entrevistas. Não falta o célebre artigo “Eztetyka da fome”, primeira síntese sobre o cinema novo dirigida aos europeus, apresentado na Retrospectiva do Cinema Latino-Americano, em Gênova, em 1965. A segunda parte é uma reunião de reflexões e notas biográficas escritas em 1980, uma “memória afetiva” que se refere diretamente a personagens da vida cultural da época. Conforme o crítico Inácio Araújo: “Revolução do cinema novo não é, afinal, o livro de um santo, mas de um homem. Tem a marca de um dos maiores artistas brasileiros do século XX e também a sua impureza. Quase uma autobiografia de Glauber Rocha, é um livro-chave”. Com prefácio do autor inédito em livro e artigo de Cacá Diegues escrito à época do cinema novo, a edição é totalmente ilustrada. Os textos passaram por rigorosa revisão e incluiu-se um índice onomástico.

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A Linguagem Secreta do Cinema – Jean-claude Carrière

A linguagem secreta do cinema é uma das mais importantes reflexões sobre a linguagem cinematográfica e sua evolução. Ângulo, câmera, iluminação, cenário, elenco e técnica são alguns dos temas abordados neste livro. Além disso, o autor explica como os filmes alteraram nossa percepção do tempo e como o cinema ajudou a desenvolver a mídia visual. Obras de grandes nomes como Kurosawa, Welles, Godard, Buñuel, Hitchcock e Fellini são analisadas sob o olhar experiente de Jean-Claude Carrière.

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Cinema brasileiro a partir da retomada – Marcelo Ikeda

Baseado em extensa pesquisa, este livro traça um panorama das políticas públicas – sobretudo as cinematográficas – para o setor audiovisual brasileiro, compreendendo uma fase que vai de 1990 a 2010. Assim, a obra busca relacionar as mudanças nas políticas culturais com as próprias transformações sofridas pelo Estado brasileiro. Mas não só: oferece uma ampla compilação – ilustrada por tabelas e gráficos – de dados sobre a captação de recursos incentivados e sobre a performance dos filmes brasileiros em diferentes mercados. E, no epílogo, aborda as políticas audiovisuais no governo atual e faz previsões para os próximos anos. Destinado a estudantes de Comunicação, Cinema e Audiovisual, bem como a profissionais da área, estudiosos e pesquisadores.

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Uma Câmera na Mão e Uma Ideia na Cabeça. Glauber Rocha e a Invenção do Cinema Brasileiro Moderno – Frederico Osanam Amorim Lima
Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça procura estabelecer uma ampla interlocução entre os vários sujeitos envolvidos com as produções de sentido sobre o Cinema Brasileiro e que tomam a noção de moderno como ponto de discussão. A análise de textos e livros produzidos por cineastas e críticos de cinema permitiu enxergar os pontos de articulação que dão sustentação ao chamado Cinema Brasileiro Moderno, ao mesmo tempo em que permitiram problematizar os lugares de produção de uma dada discursividade e as implicações geradas pela sua instituição enquanto regime de verdade.

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Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
Natália Figueiredo

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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

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