Cinco frases e cinco livros de Oliver Sacks

Oliver Sacks foi um dos mais influentes neurocientistas de nosso tempo

Poucos neurocientistas conseguiram um impacto tão grande na cultura mundial quanto Oliver Sacks. Seu estilo bem-humorado e instigante transformou seus livros em campeões de vendas e elevou seu status de pesquisador à celebridade. A adaptação para os cinemas de Tempo de despertar, com Robin Williams e Robert De Niro, ganhou uma indicação ao Oscar em 1991. Ao saber de seu falecimento em 2015, a autora J.K. Rowling homenageou Sacks descrevendo-o como um “grande inspirador da humanidade.”

Ele costumava receber cerca de 10 mil cartas de fãs de todo o mundo anualmente, e fazia questão de priorizar as respostas para remetentes com menos de dez ou mais de 90 anos e para quem estivesse na prisão.

Separamos algumas frases de Oliver Sacks e algumas de suas importantes obras. Confira!

 

“Música pode nos tirar da depressão ou nos levar às lágrimas – é um remédio, um tônico, um suco de laranja para o ouvido. Mas para muitos dos meus pacientes neurológicos, música é ainda mais – ela pode dar acesso, mesmo quando nenhum medicamento consegue, ao movimento, ao discurso, à vida. Para eles, música não é um luxo, mas uma necessidade”.

 

“Ainda que seja meu trabalho como neurologista diagnosticar a doença e pensar no tratamento da doença, eu sempre quis tratar a pessoa tanto quanto a doença e fico muito feliz que o meu médico pense da mesma forma. Eu não sou apenas um trabalho para ele. Eu sou uma pessoa reagindo a uma situação. Dessa forma, eu me coloco entre a visão biológica e humanista”.

 

“Quase inconscientemente, eu me tornei um contador de histórias numa era em que a narrativa médica estava quase extinta. Isso não me desestimulou, já que eu sentia a influência das grandes histórias de estudo de casos neurológicos do século XIX. Eu era solitário mas profundamente realizado na minha existência quase monástica por muitos anos”.

 

“Eu não posso fingir não ter medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Eu amei e fui amado; eu me doei muito e muito me foi dado em troca; eu li e viajei e pensei e escrevi. Eu me relacionei com o mundo, o mundo especial de escritores e leitores”.

 

“Acima de tudo, eu sou um ser consciente, um animal pensante, neste lindo planeta e isso, em si, é um enorme privilégio e uma aventura”.

 

Conheça cinco sucessos da carreira literária do autor:

Sempre em movimento

Quando revelou à família que era homossexual, ouviu de volta da mãe que ele era “uma abominação”. Esta sentença o fez abandonar a Inglaterra e o colocou na estrada. Nessas viagens, cruzando de ponta a ponta um país tão familiar quanto estrangeiro, surgiu o médico que viemos a conhecer: apaixonado, obstinado e perpetuamente curioso com o mundo. Sacks mostra ao leitor como a mesma energia que motiva suas paixões físicas – levantamento de peso e natação – alimenta suas paixões cerebrais. Ele escreve a respeito de seus casos de amor, tanto os românticos quanto os intelectuais, sobre a culpa de abandonar a família para ir aos Estados Unidos, sua ligação com o irmão esquizofrênico e os escritores e cientistas que o influenciaram.

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Tempo de despertar

Usando uma nova droga, o neurologista Oliver Sacks conseguiu, entre 1969 e 1972, despertar vários pacientes de encefalite letárgica do estado em que viviam desde o fim da Primeira Guerra Mundial, quando ocorreu um surto da chamada “doença do sono”.  Tempo de despertar traz um relato detalhado das experiências neuroantropológicas do autor junto a vítimas desta doença, de seus esforços por tirá-las do letargo e compreender o mundo em que vivem mergulhadas.

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O homem que confundiu sua mulher com um chapéu

Nesta obra, Sacks coloca o leitor diante de pacientes que, imersos num mundo de sonhos e deficiências cerebrais, preservam sua imaginação e constroem uma identidade moral própria. Relatos clínicos são intencionalmente transformados em artefatos literários, mostrando que somente a forma narrativa restitui à abstração da doença uma feição humana, desvelando novas realidades para a investigação científica e problematizando os limites entre o físico e o psíquico.

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Um antropólogo em Marte

O que têm em comum o pintor que, aos 65 anos, passa a enxergar o mundo em preto e branco; o massagista que, cego desde a mais tenra infância, recupera a visão após passar por uma cirurgia; e a mulher autista que não consegue entender os sentimentos humanos, mas se torna uma especialista em comportamento animal? Para o neurologista Oliver Sacks, esses não são apenas casos clínicos extraordinários – antes de mais nada, eles dizem respeito a indivíduos cujas vidas podem nos ajudar a compreender melhor o que somos.

AntropŠlogo em Marte
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Vendo vozes

Numa fascinante incursão pelo universo dos surdos, a preocupação de Oliver Sacks não é simplesmente apresentar às pessoas a condição daqueles que não conseguem ouvir. Acompanhando a história, os dramas e as lutas dessas pessoas, o leitor será levado a olhar para o seu próprio cotidiano de um modo inteiramente novo. Será capaz de ouvir, nos sons da linguagem, um pequeno milagre que se repete cada vez que uma nova sentença é proferida.

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Clique aqui para conhecer todas as obras do autor.


 

Qual o seu livro favorito de Oliver Sacks? Deixe seu comentário e participe da conversa. 

Comentários

5 comentários em “Cinco frases e cinco livros de Oliver Sacks

  • 31.08.2015 a 11:20 pm
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    Livrados os livros de Oliver Sacks e gostei de todos mas o que mais me tocou foi Vendo Vozes

  • 01.09.2015 a 3:26 pm
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    Era um encanto de inteligência.
    Sabia viver e soube morrer.
    Esteja em PAZ com JESUS.

  • 01.09.2015 a 5:30 pm
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    …seus livros me acrescentaram muito na minha formação em Psicologia! :)

  • 28.10.2015 a 10:27 am
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    Adiminavei

  • 28.10.2015 a 3:11 pm
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    Meu preferido do Oliver Sacks é o “Vendo vozes” …se você se interessa pelas linguagens humanas, pelo que é o ser humano e as relações que ele estabelece com os outros e com o mundo, não morra sem ser este livro genial, complexo, divertido, surpreendente e SOBRETUDO EMOCIONANTE! Um dos melhores livros que já li na vida, sem dúvida! Nesse livro Sacks também fala da sensação que teve quando aprendeu a língua dos sinais: era aprender um outro modo de linguagem que lhe forneceu uma perspectiva totalmente nova e inesperada da linguagem, da biologia e da cultura… tornou estranho o familiar, e familiar o estranho. […] fui levado a vê-los [os surdos] como um povo, com uma língua distinta, com sensibilidade e cultura próprias. […] O estudo dos surdos mostra-nos que boa parte do que é distintivamente humano em nós – nossas capacidades de linguagem, pensamento, comunicação e cultura – não se desenvolve de maneira automática, não se compõe apenas de funções biológicas, mas também tem origem social e histórica; essas são um presente – o mais maravilhoso dos presentes – de uma geração para a outra. Percebemos que a cultura é tão importante quanto a natureza. (SACKS, 2010, p. 10)

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