Conheça os romances finalistas do Prêmio Jabuti

Lista dos indicados foi divulgada no final de outubro

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) disponibilizou a arte do selo de divulgação dos livros finalistas do Prêmio Jabuti 2015. A ideia é que o selo seja usado em capas, cintas ou sites e redes sociais para identificar as obras que concorrem à laureação. Todos os finalistas podem usar o selo gratuitamente. O resultado final será divulgado no dia 19 de novembro, e a cerimônia de premiação ocorrerá em 03 de dezembro. Confira a lista dos romances indicados.

A cabeça do santo, de Socorro Acioli

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Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz cumpre a promessa e faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena cidade de Candeia, sofrendo todas as agruras do sol impiedoso do sertão do Ceará.

Ao chegar àquela cidade quase fantasma, ele encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Mas as estranhezas não param aí. Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor.

Já consagrada por seus livros infantojuvenis, a escritora Socorro Acioli apresenta seu primeiro romance dirigido ao público adulto, desenvolvido na oficina “Como Contar um Conto”, promovida por Gabriel García Márquez em Cuba.

Belo como um abismo, de Elias Fajardo

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Uma gata lânguida de nome Emily e suas homônimas escritoras – a romancista inglesa Brontë e a poeta americana Dickinson; uma turista peruana anônima em Barcelona. Otávio, que viaja pelos meandros de uma Índia remota enquanto bebe no Baixo Gávea. E Clara – a filha que Otávio e Aparecida não tiveram – cuja existência ganha vida ao longo das páginas. Esta é a galeria de personagens de Belo como um abismo, livro em que Elias Fajardo abole as fronteiras de tempo e espaço, esmiuçando cada uma destas vidas, observando atentamente seus passos (e sonhos). O resultado é um romance intenso, em que o autor desenha com habilidade um rico painel humano, pontuando com a magia da arte as agruras da vida.

Caderno de um ausente, de João Anzanello Carrascoza

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Após conquistar o cenário internacional, João Anzanello Carrascoza coloca-se, com esta obra, de maneira definitiva como um escritor inovador. Neste segundo romance, a estrutura formal continua a ser a principal pesquisa literária do autor. O narrador desta história, um homem de cinquenta anos, escreve em um caderno anotações de vida para sua filha recém-nascida, Beatriz. Temeroso de que não acompanhará a maturidade da filha, uma vez que a diferença de idade é muito grande, o homem se põe a narrar a história da família entremeando por impressões filosóficas e poéticas sobre a trajetória de uma vida. A intenção do pai, porém, não é mostrar uma verdade, mas sim a delicadeza: “e eu só sei, Bia, que, em breve, não estaremos mais aqui, e, enquanto estivermos, eu quero, humildemente, te ensinar umas artes que aprendi, colher a miudeza de cada instante, como se colhe o arroz nos campos, cozinhá-la em fogo brando, e, depois, fazer com ela um banquete”.

Flores artificiais, de Luiz Ruffato

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O escritor Luiz Ruffato recebe em sua casa a correspondência de um desconhecido. Trata-se de um manuscrito, uma compilação de memórias que Dório Finetto, funcionário graduado do Banco Mundial, redigiu a partir de suas a trabalho. Como consultor de projetos na área de infraestrutura, Finetto percorreu meio mundo numa sucessão de simpósios, reuniões e congressos. A mente de engenheiro, no entanto, esconde um observador arguto e sensível, uma dessas pessoas capazes de se misturar com naturalidade num grupo de desconhecidos. Finetto colecionou grandes histórias e pequenos acontecimentos. Foi a partir dessas observações que ele compôs seu Viagens à terra alheia, o manuscrito que mandou ao conterrâneo Luiz Ruffato. E é este livro dentro do livro que Ruffato irá transformar no romance Flores artificiais. Partindo de um esqueleto ficcional, Ruffato – o autor, e não o personagem do próprio livro – irá embaralhar as fronteiras entre ficção e realidade, sem jamais perder de vista a força literária que é a grande marca de sua obra.

O irmão alemão, de Chico Buarque

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O livro mais recente de Chico Buarque é um romance em busca da verdade e dos afetos. Ele já publicou anteriormente Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite derramado que lhe renderam três prêmios Jabuti e venderam quase um milhão de exemplares, ficando por meses nas listas de livros mais vendidos do país. Chico também é autor de peças como Roda viva e Ópera do malandro.
“Sua narrativa se faz mais daquilo que escorre entre as palavras, do que com as verdades que elas costuram. […] Ele está entre os grandes narradores brasileiros contemporâneos.” (José Castello, O Globo)

O oitavo selo, de Heloisa Seixas

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Um quase romance – é como Heloisa Seixas define O oitavo selo, que tem por protagonista um personagem da vida real, seu marido, o escritor Ruy Castro. Intercalando ficção e realidade, em uma narrativa hipnótica que inclui beleza e horror, o livro mostra os diversos momentos de um homem diante da morte. Os “selos” a que se refere o título são os diferentes trâmites enfrentados; uma saga que inclui drogas, alcoolismo e doenças gravíssimas. Com muitas referências literárias, musicais e cinematográficas a obra é resultado da parceria de vida desses dois escritores brasileiros, iniciada há mais de vinte anos.

O professor, de Cristovão Tezza

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O professor Heliseu será homenageado por uma carreira exemplar na universidade à qual dedicou a maior parte de sua vida. Enquanto prepara o discurso de agradecimento, é tomado por uma sucessão incontrolável de memórias e revisita momentos nem sempre felizes de sua vida: a convivência com o pai rígido; a morte da mãe, o tempo no seminário; o casamento com Mônica; o relacionamento conturbado com o filho; a paixão pela misteriosa Therèze. As lembranças se cruzam com a história do Brasil, desde o regime militar aos governos mais recentes, e o acerto de contas de Heliseu com seu passado transforma-se também no acerto de contas de um país com sua história.
Após o lançamento do memorável O filho eterno, Cristovão Tezza tornou-se um dos mais célebres autores brasileiros.

Os piores dias de minha vida foram todos, de Evandro Affonso Ferreira

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Aqui o leitor se vê diante de um diálogo imaginário da narradora – uma mulher em um leito de hospital – ao caminhar nua pelas ruas da metrópole. Em seus devaneios, observa a vaidade humana enquanto relembra suas perdas e a relação com o amigo escritor falecido. Assemelha seus dramas aos da figura mitológica Antígona.
Uma grande obra de Evandro Affonso Ferreira.

Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende

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Quarenta dias no deserto, quarenta anos. É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, ao anotar num caderno escolar, seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe. Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar para Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ao saber que Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba, desapareceu em algum lugar dali, ela se lança numa busca frenética, que a levará às raias da insanidade.

Semíramis, de Ana Miranda

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Com rara habilidade de trazer até o presente o sentimento vivo do passado, Ana Miranda já recriou algumas passagens decisivas da literatura brasileira, como no premiado Boca do Inferno, dedicou-se às aventuras do inquieto Gregório de Matos na Bahia do século XVII.
Em Semíramis, é a vez de José de Alencar, ícone do Romantismo Brasileiro e protótipo do “homem de letras” do século XIX. A obra possui um vigor poético total, com uma fluência irresistível desde a primeira frase. São páginas que bebem a energia da paisagem física ou psíquica do autor de Iracema, relembradas dentro de uma nova ordem narrativa, na língua original e nas pupilas de Ana Miranda.

 

Qual dos candidatos levará o prêmio? Deixe sua opinião e participe da conversa. 

 

 

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