Três poemas e três livros de Cora Coralina

Hoje celebramos o aniversário de Cora Coralina.

Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina, nascia há 126 anos na pequena cidade de Goiás (GO) no dia 20 de agosto de 1889. Mulher simples, doceira de profissão, Cora foi descoberta tardiamente. Publicou seu primeiro livro, Poemas dos becos de Goiás e estórias mais, aos 75 anos, e se transformou numa das mais importantes escritoras da literatura brasileira.

Seus versos bebem no lirismo da vida simples de interior, do coloquialismo e da sensibilidade do folclore brasileiro.

Para celebrar a vida e obra de Cora, separamos poemas de três livros da autora para lembrar seu talento e emocionar novos e antigos fãs. Confira!



Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Este poema foi extraído do livro Melhores poemas.

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Veja livro

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver

Este poema foi extraído do livro Vintém de cobre – Meias confissões de Aninha.

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Veja livro

As livrarias My Bookcase , Biblios Alfarrabista e Lugar do Livro possuem edições autografadas pela autora.


Não conte pra ninguém

Eu sou a velha
mais bonita de Goiás.
Namoro a lua.
Namoro as estrelas.
Me dou bem
com o Rio Vermelho.
Tenho segredos
como os morros
que não é de advinhá.

Sou do beco do Mingu
sou do larguinho
do Rintintim.

Tenho um amor
que me espera
na rua da Machorra,
outro no Campo da Forca.
Gosto dessa rua
desde o tempo do bioco
e do batuque.

Já andei no Chupa Osso.
Saí lá no Zé Mole.
Procuro enterro de ouro.
Vou subir o Canta Galo
com dez roteiros na mão.

Se você quiser, moço,
vem comigo:
Vamos caçar esse ouro,
vamos fazer água… loucos
no Poço da Carioca,
sair debaixo das pontes,
dar o que falar
às bocas de Goiás.

Já bebi água de rio
na concha de minha mão.
Fui velha quando era moça.
Tenho a idade de meus versos.
Acho que assim fica bem.
Sou velha namoradeira,
lancei a rede na lua,
ando catando estrelas.

 

Este poema foi publicado no livro Meu livro de cordel.

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Veja livro

A Avalon Revistaria de Goiânia tem uma cópia da primeira edição autografada desta obra.


Qual é o seu poema favorito de Cora Coralina? Deixe seu comentário!

Comentários

Rodrigo Espírito Santo

Rodrigo Espírito Santo

Colaborador em Estante Virtual
Mestre em Comunicação Social, MBA em Comunicação Corporativa, Pós-graduado em roteiro de audio visual. Mais de 15 anos de experiência em comunicação empresarial, endomarketing, redação publicitária, jornalística e de conteúdo para redes sociais.
Rodrigo Espírito Santo

Rodrigo Espírito Santo

Mestre em Comunicação Social, MBA em Comunicação Corporativa, Pós-graduado em roteiro de audio visual. Mais de 15 anos de experiência em comunicação empresarial, endomarketing, redação publicitária, jornalística e de conteúdo para redes sociais.

2 comentários em “Três poemas e três livros de Cora Coralina

  • 24.08.2015 a 3:27 pm
    Permalink

    Ela e maravilhosa….

  • 24.08.2015 a 1:51 pm
    Permalink

    Cora Coralina classificava as palavras pela alma. Tinha intimidade com elas. Ler seus poemas é se refastelar de poesia , é encontrar uma janela na alma e sair voando na imaginação .

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