Do romance de folhetim ao Chick-Lit

O que as radionovelas, novelas e romances atuais têm em comum? Os folhetins! Do francês feuilleton, o folhetim surgiu na França do século XIX e Honoré de Balzac foi o autor da primeira história do gênero que se popularizou como uma “ficção aos pedaços”. Publicados em jornais e revistas, os folhetins tinham como característica principal sua narrativa literária em prosa seriada, ágil e com uma profusão de eventos.

Escritos ao correr da pena são para serem lidos ao correr dos olhos”. Foi assim que José de Alencar definiu o processo de criar e ler um folhetim em sua obra Ao Correr da Pena. A velocidade da escrita e da leitura era justificada pelo objetivo primeiro dos folhetins: o entretenimento. A trama era dividida em diversos capítulos que terminavam sempre com um mistério, aguçando a curiosidade do leitor que corria para comprar a próxima edição do periódico assim que era publicado. Muitas donas de casa chegaram a recortar e a costurar as sequências dos folhetins para guardar a história completa. Mais tarde, para a praticidade da nação, muitos desses folhetins foram reunidos e publicados em livros ;)

Foi exatamente essa característica de criar o desejo de “quero mais” que fez com que os folhetins tivessem grande importância financeira na sustentação e aumento das vendas de muitos jornais e revistas da época, como o Correio Mercantil e o Diário do Rio de Janeiro. E foi com esse gênero que muitos autores brasileiros tornaram-se conhecidos e conquistaram o sucesso no universo literário. Dentre eles Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, Lima Barreto, Aluísio de Azevedo, Raul Pompéia, Manuel Antônio de Almeida e o próprio José de Alencar.

Diante do potencial de prender a audiência, o rádio e a TV acabaram por adotar a mesma tática, criando-se assim as radionovelas e as novelas, respectivamente. Mas o que os romances atuais têm a ver com tudo isso? Além da narrativa seriada, os folhetins também ficaram conhecidos por uma segunda característica: retratar o cotidiano, mostrando o dia-a-dia da sociedade da época. Proposta similar é a do novo gênero literário Chick-Lit (ficção feminina que aborda as questões das mulheres modernas). Com a diferença de que esse retrato social é focado na vida contemporânea e na rotina das mulheres.

Você já leu algum romance de folhetim? Deixe um comentário neste post falando qual foi a obra e o que achou dela. E aproveite para conferir a lista que preparamos de alguns livros que foram originalmente publicados em formato de folhetim!

 

 

Comentários

Um comentário em “Do romance de folhetim ao Chick-Lit

  • 20.06.2013 a 12:24 pm
    Permalink

    Sim, já li vários, mas um que me marcou muito foi “Memórias de um Sargento de Milícias”. Lembro-me que tinha 16 anos quando o li e foi uma experiência muito interessante, uma vez que até então tinha lido apenas contos e os livros infantis de Monteiro Lobato. Recomendo a leitura e a releitura dessa divertida estória.

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