O surrealismo na literatura

Na literatura surrealista, as palavras deveriam ser escritas conforme viessem ao pensamento?

Histórias sem pé nem cabeça te atraem? Histórias com personagens que viram insetos chamariam sua atenção? Se você respondeu positivamente a uma dessas duas perguntas, então conheça um pouco mais do universo literário nonsense! Quando falamos de narrativas nonsense, lembramos de cara de algumas histórias como A Metamorfose, de Franz Kafka, na qual, em uma bela manhã, o personagem Gregor Samsa acorda e descobre que se transformou em uma barata! Pelo caráter improvável da trama, há quem enquadre essas narrativas em uma categoria: o surrealismo. Mas será que todas as narrativas nonsense são mesmo surrealistas?

O Movimento Surrealista começou na década de 1920, em Paris. Esse movimento artístico e literário teve início com o Primeiro Manifesto Surrealista redigido pelo poeta e crítico André Breton, em 1924. É certo que a narrativa de Kafka nos deixa um tanto quanto desnorteados em determinados momentos, assim como quando estamos diante de obras surrealistas. No entanto, Kafka jamais poderia ser adepto de um movimento póstumo. A verdade é que a narrativa de Kafka possui algumas características bem distintas do surrealismo.

Surrealismo no Brasil

Enquanto a escrita do autor alemão era permeada por uma forte análise crítica da sociedade moderna e suas qualidades burocráticas e impessoais, o movimento surrealista tinha como objetivo primeiro explorar o inconsciente, tendo sofrido forte influência das teorias psicanalíticas de Freud. Logo, no surrealismo não há qualquer controle do pensamento pela razão, moral ou estética. Na literatura dita surrealista, as palavras deveriam ser escritas conforme viessem ao pensamento sem seguir nenhuma estrutura coerente. No Brasil, só a partir de 1928 é que é possível documentar os sinais do surrealismo na literatura nacional. O livro Macunaíma, de Mário de Andrade, é um exemplo de influência que o surrealismo exerceu em nossa literatura. A aparência caótica de Macunaíma tem muito a ver com esse automatismo psíquico e a escrita “automática” dos surrealistas. No entanto, assim como em A Metamorfose, o caos é apenas uma aparência uma vez que há sempre uma temática por trás para dar unidade à narrativa.

O escritor Oswald de Andrade, em seu Manifesto Antropofágico (síntese de pensamentos do autor sobre o Modernismo Brasileiro),  faz menções diretas ao movimento ao falar de uma revolução surrealista e ao citar Freud. Seu romance, Serafim Ponte Grande(1933) também tem traços a ver com o surrealismo. Também foram ícones do surrealismo na literatura nacional, os poetas Murilo Mendes e Jorge de Lima. E alguns títulos de livros de Mario Quintana provêm de imagens surrealistas, como Sapato Florido. Já João Cabral de Melo Neto, em seu primeiro livro – Pedra do Sono – trabalha com temas que o aproximam do surrealismo. São eles: irrealidade, sonho e sono.

Para que conheça um pouco mais sobre o surrealismo literário, montamos uma lista com alguns dos autores mais influentes do surrealismo! Se você conhece mais algum escritor que não está na lista, compartilhe com a gente comentando esse post! ;)

  Quais são os principais autores do movimento surrealista?

Autor do Manifesto Surrealista e responsável por colocar o movimento em todos os domínios da arte: da pintura à literatura. Incentivou o surrealismo com exposições e revistas que falavam sobre o movimento, como a La Révolution Surréaliste e a Littérature.

Considerado o primeiro e o mais importante dos precursores do movimento surrealista no campo da literatura, sua obra mais importante foi o poema Contos de Maldoror. Para alguns, o Conde de Lautréamont foi um gênio da literatura, mas, para outros, foi apenas um louco.

Escritor e pintor francês, foi um dos precursores do surrealismo. Raymond Roussel ficou famoso por combinar elementos sobrenaturais e jogos linguísticos em suas obras.

Poeta e dramaturgo francês, Roger Vitrac contribuiu para o movimento dadaísta e depois para o surrealista. Além disso, fundou junto com o Antonin Artaud o Thêàtre Alfred-Jarry.

Um dos mais importantes poetas surrealistas, Benjamin Péret ajudou a fundar a revista La Révolution Surréaliste, em 1924, juntamente com André Breton. Morou no Rio de Janeiro, onde era chamado de Maurício, fundou a Liga Comunista e escreveu o Segundo Manifesto do Surrealismo.

Influenciou de tal maneira o surrealismo que acabou criando uma pseudociência chamada Patafísica, a ciência das soluções imaginárias. Alfred Jarry também é um dos precursores do teatro do absurdo, forma do teatro que se utiliza de elementos ilógicos para caracterizar o desatino que o homem e sociedade estão imersos.

 


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Comentários

3 comentários em “O surrealismo na literatura

  • 08.04.2014 a 5:00 pm
    Permalink

    Gostei desse assunto me ajudou bastante

  • 11.06.2013 a 3:40 pm
    Permalink

    No Brasil, temos ainda o mineiro Campos de Carvalho.

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