Escritores de Games

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Se além de se aventurar pelo mundo dos livros, você também gosta de jogos eletrônicos é hora de comemorar. A literatura está ganhando cada vez mais espaço no universo dos games, tanto na elaboração de seus roteiros, como na transformação das histórias virtuais em romances. É que alguns escritores estão se dedicando aos jogos: uma carreira que pode ser bem lucrativa e atrai a admiração de muitos leitores-jogadores.

Uma relação antiga

A conexão da literatura com os  games já é bem antiga. Há vários relatos de escritores que, mesmo antes do aparecimento dos jogos eletrônicos, se dedicavam em suas horas vagas aos jogos. Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas, por exemplo, era fascinado pelos jogos de palavras e enigmas de lógica – paixão que o autor trouxe para seus livros através de sua narrativa fantástica, repleta de proposições, silogismos e sofismas.

Mark Twain, autor de As Aventuras de Tom Sawyer, era famoso por suas obras mas também por sua péssima memória. Foi então que o autor teve a ideia de criar um jogo para reter fatos e datas importantes. Jogado em um tabuleiro com orifícios e pinos coloridos, tinha por objetivo ver qual jogador fazia mais pontos acertando datas de eventos históricos como batalhas e invenções. O brinquedo chegou a ser comercializado em 1891 mas não alcançou grande sucesso em vendas.

Robert Louis Stevenson, autor de O Médico e o Monstro, foi ainda mais longe e transformou sua própria casa em um campo de batalha. Sua fascinação pelos jogos de guerra fez com que o escritor distribuísse soldadinhos de chumbo e cartas de um baralho com segredos militares por todo o local. O jogo divertido nunca foi batizado, mas H.G. Wells, autor de A Guerra dos Mundos, se entusiasmou com a ideia e, em 1913, publicou um livro – Little Wars – sobre a sua própria versão do game, um pouco mais simplificada.

Nos dias de hoje

Com a popularização dos videogames e dos jogos para computador, o movimento se inverteu e empresas desenvolvedoras de games é que partiram em busca de escritores. Recentemente, a Ubisoft, desenvolvedora da série de jogos Assassin’s Creed esteve à procura de um escritor para ajudar na produção de uma enciclopédia do game. Mas além de escreverem roteiros para os jogos, muitos escritores têm se dedicado também a transformar as tramas dos games em literatura. O jogo policial L.A. Noire, com versões para PlayStation 3 e Xbox 360, mal foi lançado e já virou uma série com oito livros baseados na trama: a L.A. Noire – The Collected Stories, produzido em parceira com a Mulholland Books e assinado por autores como Joe Lansdale, de Batman: A Série Animada e Duane Swierczynski, da série de quadrinhos Marvel. Com o surgimento de outras plataformas tecnológicas como o Ipad, o Iphone e o Facebook, novas possibilidades para escritores de games, certamente, serão abertas.

A profissão

Quem já trabalha no ramo explica que o dia-a-dia dos escritores de games consiste em dar solidez aos enredos criados pelos desenvolvedores de jogos, ajudando-os, sobretudo, na criação dos diálogos de seus personagens. Mas para desenvolver a escrita para jogos é preciso estar atento às muitas restrições da plataforma, isto é, a quantidade de texto que cabe em uma tela, assim como os tipos de animações e expressões faciais possíveis de serem traduzidas do texto para a imagem. Mesmo quando o game é inspirado em um filme, o trabalho do escritor não se torna mais fácil. É preciso uma dose extra de criatividade para sair do óbvio, construir uma nova história e não deixar a audiência desinteressada.

Edward Kuehnel, escritor freelancer de games, faz algumas recomendações aos principiantes na profissão: é preciso aprender um pouco sobre programação, saber o que é possível ou não de se feito em ambiente virtual (mas não precisa virar um especialista!), brincar com ferramentas de design e conhecer o universo dos jogos que não precisam, necessariamente, ser eletrônicos. Jogos de carta e de tabuleiro também são válidos. O importante é que o jogo seja divertido e fácil de jogar.

No mercado, atualmente já são tantos os escritores de games que a associação de escritores norte-americana Writers Guild of America (WGA) criou um prêmio: o Videogame Writing Award, para reconhecer os profissionais que escrevem roteiros para jogos. Dentre renomados escritores de games, podemos citar: Tom Clancy, de Rainbow Six e Splinter Cell, Kazushige Nojima, de Final Fantasy, Dan Houser, de Grand Theft Auto (GTA), Marianne Krawczyk, de God of War e outros. A lista completa dos 20 maiores escritores de jogos você confere aqui.

Se você gostou desse post e se interessa por games, não deixe de conferir os livros do Guinness World Records sobre games e mais de 5 mil livros de nossa estante de jogos.

Comentários

2 comentários em “Escritores de Games

  • 16.06.2011 a 12:47 pm
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    Nunca tinha ouvido falar de tal: mas alguém teria de fazer esse trabalho! :D

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