Profissão Livreiro

Eles dedicam a maior parte do seu tempo aos livros. Conhecem milhares de títulos, a vida e a obra de outros milhares de escritores. Em uma estante lotada de obras, sabem apontar o exemplar mais antigo e também o mais raro em exposição. Não! Eles não são apenas leitores aficionados por literatura. Eles estão do outro lado do balcão. São os vendedores de livros. E neste 14 de março, Dia do Vendedor de Livros, conversamos com duas livreiras que encontraram a realização de suas carreiras nessa profissão.

Início de carreira

Letícia Werneck Streithorst, proprietária do sebo Livros, Livros e Livros, com mais 4.300 exemplares na Estante Virtual, trocou a mesa do escritório onde trabalhava como assessora de imprensa por uma estante recheada de obras raras. “Desde pequena tive contato com os livros dentro de casa por influência de minha mãe e também de meu padrasto poeta. Na carreira de jornalista, me sentia triste e infeliz. Foi quando tive a ideia de montar um sebo. Um amigo livreiro me ensinou todo o processo de compra, venda e troca de livros”, relembra a livreira que, no ano de 2003, abriu sua primeira loja no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro.

Sílvia Chomski, livreira-sócia do sebo Berinjela, nunca foi uma leitora tão voraz quanto seu irmão, que deixava de comer para ler suas obras prediletas. Mas foi por influência dele, que ela tornou-se livreira do sebo que fica no Centro da cidade do Rio de Janeiro e possui um acervo online de mais de 3.400 livros. “Eu morava na Argentina e quando vim para o Brasil com minha filha de 3 meses, precisava trabalhar. Daniel, meu irmão, me ofereceu um emprego de meio período como funcionária do sebo. Aceitei o desafio. Comecei a trabalhar, aprender e gostar do que fazia. Anos mais tarde, tornei-me sócia da livraria”, conta Sílvia.

Nos anos que trabalha como livreira, Sílvia coleciona um grande histórico de situações pra lá de inusitadas. “Certa vez, um jovem veio à livraria buscando um livro laranja. Ele não sabia o autor, a editora, e nem sequer o nome do livro. Depois do ocorrido, sempre que chega algum cliente na livraria, buscando um livro que não sabe bem qual é, rimos e perguntamos: ‘é um livro laranja’?”, brinca Sílvia. E, ainda que garanta que não possui a memória espantosa de seu irmão (para guardar os títulos de obras) – resultado de 15 anos de profissão como livreiro – Sílvia memoriza livros pela capa e conhece, praticamente, todos os lançamentos. “Gosto de novos autores. Geralmente, as pessoas tendem a procurar mais pelos escritores consagrados. Eu gosto de novidade. Por isso, leio autores israelenses, africanos e gosto das biografias e obras com fundo histórico, como a literatura de guerra. Os livros me ensinam o que tempo não permite”, justifica a livreira.

Prós e contras da profissão

Quando questionadas sobre os prós e contras da profissão, Letícia e Sílvia garantem: não há lado negativo no exercício da venda de livros. “Tenho consciência de que o que faço não é algo para me tornar milionária. Mas consigo viver da venda de livros e adoro o que faço, isso me satisfaz”, afirma Letícia. “O único momento ruim na profissão é quando não tenho o livro que o leitor procura. No mais, tudo é positivo. Conhecemos gente interessante, inteligente e dos mais diferentes tipos. Muitos deles tornam-se clientes assíduos e grandes amigos”, complementa Sílvia.

Quanto ao segredo da profissão, ambas são categóricas: é preciso deter conhecimento. “O livreiro precisa ter domínio sobre o objeto de seu trabalho, isto é, o livro. Não significa conhecer todos os títulos e lançamentos, mas o básico: o que é uma edição, como um livro é feito, saber a história do livro, as razões de o papel de uma determinada época ser mais quebradiço. Não é preciso entrar no mérito de conhecer livros raros, mas saber o valor certo e avaliar um livro na hora da compra é fundamental”, enumera Letícia.

Para Sílvia, o conhecimento é, exatamente, o que diferencia os bons vendedores de livros seminovos. “Quem vende livro novo não precisa ter tanto conhecimento sobre os livros. Qualquer informação pode ser encontrada na Internet. Mas nós temos que conhecer livros muito antigos, então, é preciso saber um pouco a mais. Não adianta ter uma livraria, se não souber o que se está vendendo. O cliente vem uma vez e não volta mais. Capacitação e vontade de aprender é primordial para um livreiro”, argumenta Sílvia.

Seguindo essas dicas, e com dedicação e amor pela profissão, as livreiras confirmam: é satisfação garantida para leitores e vendedores de livros. 

Comentários

6 comentários em “Profissão Livreiro

  • 30.03.2017 a 10:23 am
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    Gostei.

  • 29.05.2016 a 12:40 pm
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    Como começar? Gostaria muito de trabalhar com isso mas como aprender sobre livros antigos etc. Cursos?

  • 28.02.2016 a 9:51 am
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    Teria algo sobre São Cipriano?

  • 12.10.2014 a 4:52 pm
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    Eu adorei a entrevista sobre o livreiro, eu acho muito importante o poder do conhecimento. Eu tbm, gosto muito de livros, principalmenteos autores de Renomes. Pois a leitura faz agente viajar no tempo..E muito bom! Parebéns à todos os livreiros! Um forte abraço à todos.

  • 28.08.2014 a 5:18 pm
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    Nossa, que post maravilhoso…! :’)
    Sou apaixonada por livros e volta e meia penso em trabalhar em alguma livraria, sebo, qualquer coisa que me ponha em contato com minha grande paixão…
    “Tenho consciência de que o que faço não é algo para me tornar milionária. Mas consigo viver da venda de livros e adoro o que faço, isso me satisfaz”
    Amei o relato, principalmente a frase acima, é totalmente verdade para mim. Ganhar muito dinheiro sendo infeliz 10 horas por dia não vale a pena…

    Ótimo post!

    Beijos!
    http://www.marinadelamonica.com.br

  • 09.01.2012 a 2:07 pm
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    Ri muito com a história do livro laranja e gostaria de compartilhar um fato ocorrido em minha loja. Certa vez chegou um cliente e disse que há muito tempo procurava um livro que havia lido mas não se lembrava o nome do livro nem do autor. “É a história de uma menina feia porém muito inteligente que se apaixona pelo primo e vai a uma festa, beija um outro garoto e axredita ter beijado o primo” ele contou, por acaso eu havia terminado de ler a obra e perguntei: – Não seria o livro “A marca de uma lágrima, do Pedro Bandeira? e ele eufórico: – Sim, sim, é esse mesmo, você tem? e eu disse: sim, está aqui.
    Ainda posso ver a cara de espanto de meu cliente, ele deve achar que eu li e gravei a história de todos os livros do mundo. Fora apenas uma grande coincidência.

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