O dia que perdemos Saramago

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Nas primeiras horas da manhã, letras brancas sobre a tela preta do site oficial da Fundação José Saramago, anunciam:

“Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu às 12:30 (horário local) na sua residência de Lanzarote, na Ilhas Canárias, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila.”

Uma perda para a língua portuguesa, compreendida por todos os amantes da literatura que sabem que hoje o mundo ficou menor, ou ainda, nas palavras de Fernando Meirelles, diretor do filme Ensaio Sobre a Cegueira, baseado na obra de Saramago: “definitivamente o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje”. Aclamado como um dos maiores escritores em língua portuguesa e único escritor de nossa língua a ganhar o maior prêmio literário do mundo, Saramago era filho de pais analfabetos e uma escola técnica de serralheiro mecânico foi a sua única formação. Comunista, ateu e crítico ferrenho do catolicismo e das injustiças sociais, provocou muita polêmica com suas opiniões e sua literatura.

Um de seus livros, O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) que desmistifica a figura de Jesus, foi censurado pelo governo português e provocou a mudança do escritor para a ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, onde ficou até morrer, sempre acompanhado pela sua segunda mulher, a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río. Foi lá também que ele escreveu seu último livro, Caim (2009) que logo na primeira linha apresenta a palavra “Deus” grafada com letras minúsculas e também narra histórias bíblicas de forma polêmica, desta vez sob o ponto de vista de Caim.

A obra de Saramago é composta por poesias, contos, romances, crônicas e também por uma aventura no universo infantil, com o livro A Maior Flor do Mundo, publicado em 2001. Entre suas publicações mais recentes estão A Caverna (2000) , Ensaio Sobre a Lucidez (2004),  As Intermitências da Morte (2005) e A Viagem do Elefante (2008). Em 2009, Saramago também lançou o livro  O Caderno, em que estão textos escritos em seu blog  O Caderno de Saramago. Em 1995,  ganhou o prêmio Camões e três anos depois o Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra.

O corpo de José Saramago será cremado em Portugal. Parte das cinzas será depositada na sua cidade natal –  uma pequena aldeia portuguesa de Azinhaga, no Ribatejo, região central do país- e a outra parte ficará nas Ilhas Canárias, onde está sendo velado.

Para quem quiser entrar em contato com o pensamento cheio de crítica, humor e ironia do autor, a Estante Virtual reuniu uma série e links com vídeos, entrevistas e obras de Saramago espalhados pela internet.

Blog: desde setembro de 2008 Saramago escrevia um blog que reunia textos inéditos e antigos, reflexões e trechos de entrevistas.
Facebook
: “Poderíamos dar um milhão de razões para sermos neste momento um milhão de Saramagos, mas não vamos dar nenhuma: quem queira ser Saramago, que se revele, que se junte.”
Youtube: canal da Fundação José Saramago que reúne vídeos de entrevista e premiações.
Estante Virtual
: quase dois mil exemplares à venda.

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